sábado, 29 de outubro de 2011

Mata Atlântica e o Nosso Futuro p/ Luana Mariel - 12

Tenho apenas 12 anos, por isso ainda estudo.  Estava na sala estudando,  quando me deparei com uma imagem de como era a Mata Atlântica e de como está agora.
Em 1950,   a Mata Atlântica tomava conta da região Sudeste, em 2005 o que estava tomando conta era a devastação causa pela ação humana, então pense como deve estar agora.
Estava procurando mais informações e achei a ONG SOS MATA ATLÂNTICA.
Esta entidade visa defender os remanescentes da Mata Atlântica e valorizar a identidade cultural das comunidades que o habitam, buscando o seu desenvolvimento sustentado.
Os projetos da ONG SOS MATA ATLÂNTICA SÃO:
1) Aliança para a Conservação da Mata Atlântica (desde 1999)
2) Atlas da Mata Atlântica
3) Clickarvore
4) Costa Atlântica
5) Estradas-Parque
6) Florestas do Futuro
7) Centro de Experimentos Florestais - Itu/SP
8) Mata Atlântica Vai à Escola
9) Observatório Parlamentar da Mata Atlântica (desde 2004)
10) Plantando Cidadania (desde 2001)
11) Plataforma Ambiental aos Municípios, Prefeitos e Vereadores
12) Programa Lagamar
13) Rede das Águas
14) Viva a Mata
15) Mata Atlântica é aqui! (projeto Itinerante)
Sobre a ONG:
A ONG possui quase 200 mil filiados, foi criada em 1986.
A SOS MATA ATLÂNTICA é um movimento socioambiental, promovem a conservação ambiental, cultural e biológica.
No site você irá encontrar informações, também dados sobre a Mata Atlântica e projetos desenvolvidos na região.
A UNESCO reconhece que a Mata Atlântica é um dos ecossistemas mais ricos do mundo em biodiversidade, mas se continuarmos com essa destruição não restara um único animal ou planta. Quero esse Brasil bonito, não do jeito que está ficando, e você?
A Mata Atlântica está morrendo, dentro de pouco tempo não existira mais, não terá mais ecossistema, biodiversidade, irá estar tudo morto, tudo devastado pelo homem, você pode estar pensando assim: “Mais eu reciclo, mais eu não jogo lixo pela janela do carro”. Sei que isso é mentira, todos fazem isso, não adianta mentir, e assim de pouquinho em pouquinho que a nossa natureza morre, eu gosto dela e pretendo cuidar dela, pois quero um Brasil muito lindo.
Meu texto não é grande igual os outros que meu pai escreve, porque às vezes com pequenas palavras levam ao grande entendimento, alem disso, não precisamos de muita coisa para entender o óbvio.
Luana Mariel Baez Alliana –12 anos - Estudante da Escola São José

Absurdo e cruel. Animais sendo preparados como alimento vivo.

video

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

4º Prêmio Instituto 3M para Estudantes Universitários abre inscrições

Estudantes universitários de todo o país podem participar até 5 de dezembro no hot site do prêmio.


Para incentivar ações que promovam a transformação social no país, o Instituto 3M abre inscrições para a quarta edição do Prêmio Instituto 3M para Estudantes Universitários. Em parceria com a AlfaSol e UniSol, a organização social vai premiar o projeto vencedor com até R$ 30 mil em apoio financeiro durante um ano para viabilizar sua implementação. As inscrições podem ser feitas até 5 de dezembro de 2011.
Os projetos devem apresentar tecnologias sociais inovadoras voltadas para a promoção da saúde, educação ou meio ambiente. Podem se inscrever somente estudantes universitários de todo o Brasil, Os projetos poderão ser inscritos individualmente ou em equipe e deverão contar com a orientação de um docente em exercício da mesma Instituição de Ensino Superior (IES), que terá a responsabilidade de acompanhar e orientar o participante e/ou a equipe.
Os estudantes podem se inscrever, preenchendo uma ficha eletrônica no hot site do Prêmio ou pela fan page oficial do Instituto 3M no Facebook. As inscrições e o envio dos projetos poderão ser feitas em momentos diferentes, até o prazo limite de inscrição (05 de dezembro de 2011). Os projetos deverão ser enviados em arquivo eletrônico para o email premioinstituto3m@unisol.org.br.
“A realização desse Prêmio é movida pelo nosso objetivo de incentivar e reconhecer trabalhos acadêmicos que retratem a importância da responsabilidade social no Brasil”, declara Marcelo Tambascia, presidente do Instituto 3M de Inovação Social. “Propostas que objetivem o desenvolvimento social e a melhoria da qualidade de vida das comunidades merecem ser premiadas”, completa.
Realizado em parceria com a AlfaSol e o UniSol, o concurso será divulgado nas Instituições de Ensino Superior de todo o país e em mídias sociais.
Para conhecer o regulamento e fazer sua inscrição, é só acessar o hot site do Prêmio ou enviar um e-mail para premioinstituto3m@unisol.org.br.
Sobre o Instituto 3M de Inovação Social
O Instituto 3M de Inovação Social é uma organização idealizada pela 3M do Brasil e visa promover o conceito de “tecnologia social”. Esse termo engloba as metodologias de transformação social desenvolvidas com a participação da população e aplicadas ao seu cotidiano, gerando soluções simples para a inclusão social e melhoria de suas condições de vida. A missão do Instituto 3M é descobrir e aplicar as inovações sociais que promovam o desenvolvimento social das comunidades onde a 3M do Brasil atua. (www.instituto3m.org.br)
(Assessoria de Imprensa)

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

CATADORES DE ESPERANÇA

A destinação inadequada de resíduos sólidos recicláveis é um sério problema da sociedade atual e denota a falta de consciência ambiental por parte desta mesma sociedade, por essência, consumista, e, como tal, geradora diariamente de cerca de 0,650kg de resíduos por habitante, dos quais, quase 70%  passíveis de reciclagem, porém, acabam tendo como destino final os terrenos baldios, fundos de vale, corpos d’água, lixões, aterros, sem que lhes sejam dados o destino adequado. 
Essa inadequação quanto ao destino, principalmente dos resíduos passíveis de reciclagem, além de gerar notórios danos ao meio ambiente, como a contaminação do solo e da água, gera também danos à saúde, devido ao fato de propiciar um ambiente adequado para a proliferação de vetores, como ratos, baratas que são causadores de doenças, e o mosquito Aedes Aegypti, transmissor do vírus da “dengue”.
Contudo ao observar-se o fator sócio-econômico, podemos concluir que a destinação incorreta dos resíduos passíveis de reciclagem gera também desperdício de recursos públicos e privados.

Públicos, pois grande parte destes resíduos terá como destino os “lixões” ou Aterros Sanitários, diminuindo assim a vida útil dos mesmos, praticamente obrigando o Poder Público, principalmente em âmbito municipal, a investir vultosas somas de recursos na aquisição e ou reestruturação de áreas para a destinação destes resíduos.
Privados, pois estes resíduos geram recursos financeiros na cadeia produtiva da reciclagem. E são nessa cadeia produtiva que estão inseridos os catadores de materiais recicláveis, sendo eles o elo mais frágil desta relação econômica.

Inúmeras pessoas encontraram na coleta de resíduos recicláveis a única forma de garantir a sua sustentabilidade, pois oprimidos pela falta de oportunidades no mercado de trabalho, devido a questões como a baixa escolaridade e falta de capacitação profissional, sendo explorados pelos “atravessadores” que adquirem o material, recolhido pelos catadores de rua por valores irrisórios, e os revende para as indústrias de reciclagem pelo valor de mercado, lucrando mais de 100% nesta transação. Os catadores seguem muitas vezes sem ter o devido reconhecimento e valorização da sociedade, a exercer sua atividade que contribui sobremaneira com a economia, o meio ambiente e com a saúde publica, uma vez que economizam recursos naturais e econômicos e evitam a procriação de vetores causadores de inúmeras doenças urbanas.

A primeira vez que me deparei em estudar a situação em profundidade foi em 2001, encontrando uma situação de total rejeição social e conseqüente exclusão econômica.
Com o intuito de garantir melhores condições de trabalho e renda para os catadores, é que participei a partir de 2001 da idealização das primeiras ações de um programa de busca de apoio e resgate de direitos aos catadores da cidade, participação essa que fazia como mero militante da ONG ADEAFI – Associação de Defesa e Educação Ambiental de Foz do Iguaçu entidade que desde 2009 atuo como presidente.

Jorge Samek faz entrega do primeiro carrinho a ARAFOZ em 2003

Naquele momento foi fundamental o apoio que o então presidente da Câmara Municipal Dilto Vitorassi deu a organização dos catadores, quando então foi fundada a Associação dos Recicladores Ambientais de Foz do Iguaçu - ARAFOZ. Posteriormente o fator mais determinante na construção de uma política de inclusão dos catadores foi à adoção da proposta pela Itaipu Binacional, fazendo surgir o programa que recebeu o nome de Coleta Solidária em 2003.
Outro passo que consolidou a proposta como política pública municipal foi em 2005, quando o programa passou a ser oficialmente o programa de coleta seletiva do município com o subtítulo “Coleta Seletiva Sem Catador é Lixo”.

Hoje os carrinhos doados pela Itaipu são movidos a eletricidade.

Depois disso, veio também o financiamento a fundo perdido de aproximadamente 1 milhão de reais em barracões, caminhões, equipamentos, etc. para a Cooperativa dos Agentes Ambientais de Foz do Iguaçu - COAAFI pelo BNDES.

Até hoje Itaipu, Prefeituras, ONGs como o Instituto Lixo e Cidadania e ABIPLA – Associação Brasileira da Indústria do Plástico são estratégicas na sustentação de uma política de coleta seletiva com inclusão social em toda a nossa região.
Muito ainda falta para que os catadores se tornem totalmente independentes e senhores do seu belo futuro, eles ainda estão no início da construção do seu caminho, mas já não andam nessa estrada desacompanhados de parceiros e de esperança.

Você quer que seja abordado algum tema ambiental específico?

Mande suas dúvidas ou sugestões para o e-mail: naturalmenteambiental@gmail.com

                                       
Andre Alliana, é formado em Gestão Ambiental, atua como Consultor, Gestor e Perito Ambiental, é ex-Secretário Municipal do Meio Ambiente de Foz do Iguaçu, já foi membro titular do Conselho Nacional de Meio Ambiente – CONAMA e Representante da Regional Sul da ANAMMA - Associação Nacional de Órgãos Municipais de Meio Ambiente atualmente também preside a ADEAFI – Associação de Defesa e Educação Ambiental de Foz do Iguaçu;

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Funasa divulga edital para seleção de projetos de reciclagem de materiais

A Fundação Nacional de Saúde (Funasa) publicou nesta quarta-feira (26), no Diário Oficial da União – DOU, o Edital de Chamamento Público nº 001/2011-DENSP/Funasa/MS, para apresentação de Projetos relativos à ação de “Implementação de Projetos de Coleta e Reciclagem de Materiais”.

Este Edital de Chamamento Público tem por objeto a seleção de projetos de Associações ou Cooperativas, sem fins lucrativos, voltadas diretamente às atividades de coleta e processamento de material reciclável, a serem apoiadas financeiramente pela Funasa, por meio de celebração de Termo de Convênio.

Poderão participar deste Edital as Associações ou Cooperativas de todo o território nacional, de qualquer região, estado e município, incluindo o Distrito Federal e desde que integradas por catadores de materiais recicláveis.

Para implementação do disposto no objeto deste Edital, as Associações e Cooperativas selecionadas serão apoiadas por projeto em até R$ 250.000,00 (duzentos e cinqüenta mil reais) pela Funasa.

A ação representa um investimento total de R$ 8.500.000,00, com estimativa de contemplar no mínimo 34 (trinta e quatro) Associações ou Cooperativas, até atingir o total do recurso orçamentário disponibilizado para esta ação.

Nas propostas a serem apresentadas estão previstas apenas despesas qualificadas como de investimento, atendendo as seguintes finalidades:

a) Construção de galpão de triagem;
b) Aquisição de equipamentos para operacionalização das unidades de triagem; e
c) Aquisição de caminhões a serem utilizados nas atividades de coleta e transporte de materiais recicláveis.

Mais informações poderão ser obtidas pelo telefone (0XX61) 3314.6622, no endereço eletrônico apoioaoscatadores@funasa.gov.br e na página da Funasa


http://www.funasa.gov.br:8080/siscanot/noticias/not_2011/not.php?cod=435
http://www.pantanalnews.com.br/contents.php?CID=77612
 
Notícia publicada origináriamente no blog Seguindo os Caradores: http://seguindooscatadores.blogspot.com/2011/10/funasa-divulga-edital-para-selecao-de.html

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Documento: Porque a Estrada do Colono deve permanecer fechada?

O Boca Maldita reproduz nesta terça-feira (25) a íntegra de um manifesto elaborado pela Associação de Defesa e Educação Ambiental de Foz do Iguaçu (Adeafi) e a associação Amigos do Parque, expondo uma série de motivos para manter fechada a Estrada do Colono, via de pouco mais de 17 quilômetros que corta o Parque Nacional do Iguaçu, principal unidade de conservação de Mata Atlântica do Paraná, na divisa do Brasil com a Argentina.
O documento foi elaborado durante a última invasão do trecho, em 2003 (foto). Após alguns dias, os invasores foram retirados da reserva ambiental por força da Polícia Federal.
O Parque Nacional do Iguaçu é conhecido mundialmente por abrigar, em seu interior, as famosas Cataratas do Iguaçu, além de espécimes de rara beleza de aves, peixes e plantas.
O blog resgatou o manifestou ante a mobilização, no Congresso Nacional, de parlamentares defendendo a abertura de uma estrada-parque no trecho hoje recuperado da extinta Estrada do Colono.
Desde já o espaço está aberto para o contraditório de todas as partes interessadas em se manifestar.


POR QUE A ESTRADA DEVE PERMANECER FECHADA?

1. Inicialmente, o parque foi criado com a finalidade de proteger a floresta que envolve as Cataratas do Iguaçu, uma das mais belas paisagens naturais do planeta. Todas as atividades humanas que poderiam ser nocivas ao ambiente natural foram proibidas na área para assegurar à floresta condições plenas de desenvolvimento natural.
2. A proibição dessas atividades – agricultura, qualquer tipo de extrativismo, caça e pesca, entre outras – é possível porque os 185 mil hectares que formam o Parque Nacional do Iguaçu petencem ao governo federal. Portanto, são terras públicas que devem ser usadas apenas para as finalidades para as quais foram adquiridas ou mantidas em poder do Estado.
3. Quando o parque foi criado, em 1939, as informações disponíveis sobre os danos causados pela circulação de pessoas no interior do parque ainda eram escassas. Por isso, a estrada foi erroneamente tolerada durante muitos anos.
4. Com o desenvolvimento dos estudos científicos sobre conservação ambiental ficou comprovado que uma estrada causa danos diretos e progressivos à fauna e à flora, em qualquer ambiente natural, porque altera as condições originais. Por isso, quando se trata de área destinada a proteger esses ambientes, somente podem ser toleradas aquelas estradas necessárias aos serviços internos ou à visitação pública, nos espaços previamente definidos para isso. Estes novos conceitos passaram a ser utilizados para orientar os planos de manejo dos parques nacionais brasileiros.
5. Em 1981, um grupo de cientistas elaborou um cuidadoso estudo sobre o Parque Nacional do Iguaçu e definiu como zona de visitação a área que dá acesso às Cataratas e seu entorno imediato. A área cortada pela estrada do colono foi definida como zona intangível, isto é, de proteção máxima. O estudo determinou o fechamento da estrada.
6. O estudo apontava alguns dos danos causados diretamente pela estrada: corte e apanho de espécimes da flora silvestre; quebra ou outra danificação de espécimes da flora silvestre; perseguição, apanha ou caça de espécimes da fauna silvestre; atropelamento de espécimes da fauna silvestre. Para evitar esses dados, o estudo estabeleceu como norma que não seria permitido o uso público da estrada; a infra-estrutura deveria ser limitada a trilhas necessárias às atividades científicas, administrativas ou de proteção; fica proibido o uso de veículos auto-motores.
7. Em 1986, a estrada foi fechada. Estudos realizados posteriormente mostraram a importância dessa área para livre circulação da fauna. Estudos ainda mais recentes mostram que, numa área natural, é necessário um mínimo de 2 Km para amortizar o efeito externo. Aplicando-se este princípio, pode-se observar que o impacto de uma estrada de cerca de 18 km no Parque Nacional do Iguaçu acarreta, na realidade, uma perda de área protegida na ordem de 72 km2 (7.200 ha) o que representa cerca de 4% da área do parque. Ou seja, não se trata apenas de uma estrada, e sim da perda de quase 5% do Parque Nacional do Iguaçu. Vale destacar que toda área de uso turístico, freqüentada por cerca de 1 milhão de pessoas por ano, equivale a, aproximadamente, 5% da área total do parque. Ou seja, a Estrada do Colono, que atendia apenas a um pequeno grupo de pessoas, acarretava o mesmo grau de impacto de toda área de visitação às cataratas.
8. A estrada fragmentava o parque, provocando um efeito colateral gravíssimo porque praticamente isolava a parte oeste do parque, onde estão as Cataratas. Uma lei básica da conservação da natureza é de que uma Unidade de Conservação será tão mais eficiente para proteção da biodiversidade, quanto maior for seu tamanho. A fragmentação dos remanescentes provoca, inevitavelmente, a extinção de espécies. (Vale lembrar que a principal função de um parque nacional é a conservação dos recursos naturais que abriga).
9. Além dos impactos diretos da estrada, existem outros: sonoro, deposição de lixo não degradável, modificação dos escoamento hídrico natural, dispersão de doenças típicas de animais domésticos, presença de grãos tratados com produtos químicos ou de agrotóxicos transportados em caminhões;
10. Estudos realizados em 1999, para elaboração de um novo plano de manejo para o parque, comprovaram que as conseqüências da manutenção da estrada eram ainda mais severas do que se pensava. A compactação do solo modificou a circulação da água em largo trecho da floresta; a circulação de veículos movidos a gasolina afetou a flora e a fauna, provocando empobrecimento visível da paisagem na borda da estrada; algumas espécies da fauna e da flora foram particularmente afetadas.
11. Por isso, o plano recomendou o imediato fechamento da estrada e a execução de um projeto de recuperação baseado nos seguintes itens:
- remoção do cascalho que reveste o leito da estrada
- realização da escarificação/ subsolagem/ descompactação do leito da estrada.
- colocação de solo e fonte de matéria orgânica, que deverá estar livre de sementes de plantas exóticas, por isso, sugere-se utilizar torta de mamona, torta de farelo de algodão ou outra equivalente
- preparação do solo para receber as mudas e/ou sementes
- plantio com espécies nativas, devendo as mudas das árvores de estágio sucessional mais avançado ser de aproximadamente 1 metro.
- remoção de manilhões e pontes do leito da estrada, durante os trabalhos de
- recomposição do leito.
- recuperação da margem direita do rio Iguaçu, onde a balsa atracava, com a mesma vegetação que ocorre naturalmente nas suas proximidades.
- a remoção dos sanitários, caixa d’água, calçamento e demais instalações construídos no interior do Parque, na margem direita do rio Iguaçu, à direita da estrada do colono, no sentido Serranópolis/Capanema.
O PARQUE NACIONAL DO IGUAÇU
- Os parques nacionais são áreas públicas destinadas à conservação da biodiversidade. São áreas rigorosamente protegidas, que pertencem a todos os brasileiros. Guardam a memória das florestas que estão desaparecendo e, por isso, têm enorme importância como banco genético de milhões de espécies. São fundamentais para abrigar a fauna ameaçada de extinção exatamente pela destruição de seus habitats. Guardam a memória de outros tempos da vida sobre a Terra e, por isso, são a melhor herança que se pode deixar para as gerações futuras.
• Parque Nacional do Iguaçu é um dos mais antigos do Brasil. E o maior parque fora da região amazônica e sua importância ultrapassa os limites nacionais, porque forma, ao lado do Parque Nacional de Iguazu, na Argentina, a maior reserva nativa da floresta estacional semidecidual da bacia do Prata, que já cobriu grandes extensões do sul do Brasil, Argentina, Paraguai e foi quase completamente destruída. Por isso, é considerado Patrimônio Natural da Humanidade. Quanto maior o parque, maiores são as possibilidades de assegurar a sobrevivência de todas as variedades de espécies dos ambientes originais. A fragmentação das áreas naturais provoca o inevitável empobrecimento da biodiversidade.
• Brasil tem atualmente 40 parques nacionais. Embora existam alguns grandes parques na região amazônica, o país é um dos mais pobres em áreas protegidas. Na Mata Atlântica, que está reduzida a 7% de sua área original, o número de parques é insignificante e quase todos são de pequeno porte.
• No Paraná, o Parque Nacional do Iguaçu tem enorme importância porque o tipo de floresta que protege praticamente desapareceu. É a mesma floresta que cobria praticamente metade do estado, nas regiões norte e oeste e que já não existe mais.
• A presença da floresta traz grandes benefícios para a população humana e para as atividades produtivas na região onde se encontra: a floresta retém a água da chuva e garante uma distribuição uniforme da água para os rios, mesmo em tempo de seca; garante maior equilíbrio ao clima; abriga insetos que fazem a polinização e os pássaros que disseminam sementes.
• Por fim, vale lembrar um pensamento de Edward Wilson, um dos mais respeitados cientistas modernos: Se nada mudar no tratamento dado à natureza pela civilização moderna, grande parte da imensa variedade de seres vivos que compõe a paisagem natural da Terra irá desaparecer nos próximos 25 anos. A grande floresta tropical que envolve o planeta será apenas um pobre simulacro da exuberância nativa. Teremos, então, perdido não apenas a riqueza da diversidade, mas a oportunidade de conhecer, mais a fundo, os ambientes primitivos onde a própria natureza humana surgiu e se desenvolveu. Será uma perda irreparável.
ALGUMAS INFORMAÇÕES SOBRE A VERDADEIRA IMPORTÂNCIA DA ESTRADA DO COLONO PARA A ECONOMIA REGIONAL
Um dos argumentos mais utilizados para justificar a manutenção da estrada é de que seu fechamento provocou prejuízos calculados em R$5,6 bilhões para os municípios da região Sudoeste. Uma análise mais cuidadosa dos dados usados para chegar a essa cifra mostra que a metodologia utilizada desconsiderou alguns aspectos fundamentais em análise econômica e propiciou uma grande distorção de valores. A seguir, um resumo do estudo que analisou estas distorções.
a) conjuntura estadual
O estado do Paraná apresenta um quadro de forte concentração de valor adicionado. Apenas 14 municípios do estado têm participação superior a 1% no total do valor adicionado do estado, somando 60,25% desse valor. A maioria deles integra a mesorregião metropolitana e não tem a atividade primária como principal.
No período 75/96, a maioria das regiões do Paraná apresentou desempenho decrescente no valor adicionado total: a participação no valor adicionado total, no Noroeste Paranaense, decresceu relativamente de 11,21 % para 3,80%; no Centro-ocidental Paranaense, de 4.9% para 2,7%; no Norte Central Paranaense, de 25,71% para 14,74%; na Norte Pioneiro Paranaense, de 7.2% para 3,4%; na Centro Oriental, de 7,5% para 6,8% e na Sudoeste Paranaense, de 3,9% para 3,5%. Nesse contexto, é importante notar que a posição relativa do valor adicionado da agricultura registra perdas progressivas.
O valor adicionado cresceu em termos relativos nas áreas mais próximas à Curitiba e, notadamente, na Região Metropolitana de Curitiba, que passou de uma participação de 19,94% para 42,33%, definindo um quadro de concentração.
Nos demais municípios, o comportamento da agricultura influi decisivamente nas condições econômicas, como se pode verificar numa rápida cronologia da década de 80:
- 1980: a recessão não atingiu de forma intensa o Paraná pelo bom comportamento da agropecuária;
- 1984: recuperação da economia não se refletiu no Paraná, pelo comportamento negativo da produção agropecuária;
- 1986: apesar dos reflexos positivos do Plano de Estabilização, a economia do Paraná se manteve estagnada face à quebra da produção agropecuária associada à estiagem de fins de 1985 e início de 1986;
- 1987: a retração teve menor intensidade devido ao excelente desempenho da agropecuária;.
- 1988, o PIB do Paraná decresceu e o setor agropecuário teve queda de 9,7%;
- 1989, a economia cresceu 4,4% em função do bom desempenho da cultura do café e do setor industrial e comercial a ela vinculada.
b) a região
Mesmo diante desse quadro, o Sudoeste participava em 1975 com 3,9% e praticamente manteve-se nesse patamar, chegando em 1996, com 3,5%. Do ponto de vista da dinâmica populacional, a região apresentou um dos menores crescimentos do estado. Mais de 75% de seus municípios vêm registrando perdas populacionais nos últimos anos, num quadro de evasão que tende a se intensificar. A taxa de crescimento da população rural é de -2,94% para a região e todos os municípios da região apresentam crescimento da população rural a taxas menores que zero. Alguns municípios já começam a apresentar leve decréscimo de crescimento da população urbana entre 1991 e 1996. Os centros Pato Branco e Francisco Beltrão, com crescimento urbano de 2,86%a.a e 2,64%a.a, respectivamente, são os únicos da região com crescimento da população total superior ao da média paranaense, desde 1970.
A região tem um perfil econômico especializado numa produção agropecuária de numerosos pequenos e médios produtores diversificados e com utilização intensiva de mão-de-obra familiar. Produz com grande desvantagem comparativamente a outras regiões do estado, já que seu relevo é mais acidentado e seu clima mais frio.
Em quase todos os municípios do Sudoeste (e na maioria dos municípios predominantemente agrícolas do PR) a população total vem caindo desde os anos 70. Pode-se supor que o número de trabalhadores ativos diminui correspondentemente. Portanto, se o valor adicionado per capita tivesse permanecido constante nos municípios analisados, o valor adicionado total por município deveria cair, devido simplesmente à diminuição do número dos trabalhadores. Os cálculos do estudo sobre as supostas “perdas” deveriam ser baseados no valor adicionado per capita e não no valor adicionado total.
c) conclusões
1. Levando em conta a inflação dos últimas décadas. nos casos em que e indispensável calcular perdas e ganhos e valores absolutos, torna-se necessário construir um deflator específico que considere, inclusive, a variação dos preços relativos dos produtos que, no caso dos agrícolas, são marcantes. Portanto, valores monetários absolutos, como os R$ 5,6 bilhões de prejuízo aos municípios no período de fechamento da Estrada do Colono, apontado pelo estudo em questão, devem ser interpretados como instrumentos de pressão política e não podem ser tomadas como verdadeiros.
2. Para construir esta fantástica cifra, o estudo considerou que o fechamento da estrada afetava de modo generalizado as regiões Oeste e Sudoeste, mas desagregou os municípios, agrupando-os em 10 diferentes categorias. Com isso, afastou os municípios que tiveram resultados positivos ao longo do período e isolou apenas aqueles que apresentavam maiores resultados negativos ao longo dos anos em que a Estrada do Colono esteve fechada. Para calcular os prejuízos, porém, reagrupou-os novamente e utilizou uma taxa social de desconto de 10% ao ano. Isto significa que aos hipotéticos prejuízos anuais, estabelecidos com base na diferença entre valor projetado e realizado, foram acrescentados 10% ao ano, ao longo de 10 anos, chegando, assim, a R$5,6 bilhões.
3. Do mesmo modo, embora o estudo aponte apenas quatro pequenos municípios como diretamente afetados pela estrada, considera a população de todos os municípios das regiões Oeste e Sudoeste afetadas pela estrada, muito embora a maioria absoluta dela não dependa em nada do trecho em questão. Mais uma vez, trata-se de argumento tendencioso e, desta vez, com caráter visivelmente eleitoreiro.
4. A queda da importância da agricultura no Valor Adicionado verifica-se em todos os municípios e no total do Paraná porque os outros setores da economia (comércio, indústria e serviços) vem ganhando peso relativo na estrutura econômica do estado. ou seja, crescem mais que a agricultura, que passa a ter menos peso relativo. Essa situação não foi considerada pelo estudo.
5. Os efeitos das oscilações da agricultura nas demais atividades da região Sudoeste não foram levados em conta. Como a agricultura está sujeita a oscilações freqüentes, em virtude de variações climáticas, alterações na demanda, preços etc. – esses municípios costumam apresentar grandes diferenças anuais de valor adicionado.
6. Por suas características econômicas, a região Sudoeste é, atualmente, uma região em processo de esvaziamento e isso não foi tomada em conta para nenhum dos cálculos realizados.
7. Para avaliar os reais prejuízos causados pelo fechamento da Estrada do Colono seriam necessários responder, primeiramente, a algumas questões básicas, para definir que parte da variação do Valor Adicionado dos municípios em questão poderia ser atribuída ao fato. Tais questões podem ser assim resumidas:
- Quais eram as condições técnicas de tráfego da Estrada do Colono – era pavimentada ou não, havia acidentes geográficos de difícil transposição etc.?
- Qual era a intensidade do tráfego de veículos?
- Que tipos de veículos trafegavam pela Estrada do Colono?
- Quais eram os setores econômicos, de quais municípios, que dependiam do transporte
pela Estrada do Colono?
- Qual era a proporção da produção destes setores que era transportada pela Estrada do Colono?
- Qual era a importância do transporte de passageiros?
A falta de qualquer indicação sobre estes e outros aspectos eventualmente importantes constitui também uma omissão grave, pois deixa sem fundamento comprovado a importância única que o estudo atribui ao fechamento da Estrada na redução do valor adicionado para alguns municípios da região, após 1986.
8. Segundo dados da Polícia Florestal do Paraná, o trânsito de veículos na Estrada do Colono, no período de 8 a 18 de julho de 1986 foi de 767 veículos (média diária de 76,7 ao dia), com as seguintes características: 190 ônibus, 80 caminhões, 437 automóveis, 50 caminhonetes e 10 veículos de outros tipos. Considerando-se as características da economia regional, o transporte da produção agrícola em caminhões teria o maior peso e o número, ainda assim é insignificante: 8 caminhões por dia.
9. O estudo não poderia deixar de avaliar a importância relativa da rodovia na economia do município. Capanema possui ligações rodoviárias com outros municípios, entre eles Francisco Beltrão e outros, e até mesmo com a Argentina, via Santo Antônio do Sudoeste. Portanto, a variação do Valor Adicionado de Capanema, e dos demais municípios, também sofre outras influências, além do funcionamento da Estrada do Colono.
Assinam este documento
Adeafi (Associação de Defesa e Educação Ambiental de Foz do Iguaçu)
Amigos do Parque

Comunicado sobre o adiamento da EXPOCATADORES 2011

 Em virtude da conjuntura nacional de brutal lobby de empresas de incineração de lixo em todo o Brasil e da realização de debates públicos sobre a implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, com a formulação de um Plano Nacional de Resíduos que vem sendo discutido em audiências públicas nas 5 regiões do país, o Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) decidiu ADIAR  a realização da 3ª edição de EXPOCATADORES que aconteceria em São Paulo no próximo mês  para concentrar forças na mobilização de um encontro nacional de catadores em Brasília, no qual serão levadas suas reivindicações ao Governo para  garantir os direitos dos catadores, a proteção do meio ambiente e a integridade da população brasileira.
A proposta é que façamos nos dias 30 de Novembro e 01 de Dezembro o “Encontro Internacional REVIRAVOLTA CATADORES”. Nesse momento tão decisivo para o Brasil, nossa proposta é que tenhamos caravanas de todo o Brasil, bem como participações internacionais, debatendo diversos temas ligados aos avanços e desafios para consolidação dos direitos conquistados pelo MNCR e a articulação internacional entre os catadores de materiais recicláveis do mundo.
Essa atividade acontecerá paralelamente a audiência pública nacional que fechará o Plano Nacional de Resíduos e o nós do MNCR devemos acompanhar de perto esse momento final e realizar um ato publico em Brasília com objetivo de pressionar a aprovação de nossas reivindicações no plano.
O Encontro terá também um caráter de celebração. Em 07 de junho de 2011 o MNCR completou seus 10 anos de luta. Será o momento de reunir os militantes e relembrar esse período, além lançar publicamente o nosso planejamento interno para os próximos cinco anos de lutas.

Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis - MNCR
 http://www.mncr.org.br/

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

A tutela vai acabar


A tutela vai acabar

Declaração do secretário dá esperança aos profissionais da área ambiental

Em 2 de agosto de 2010, escrevi um artigo denominado "Tutela demais", no qual critiquei a atuação dos órgãos ambientais que, por desconfiança, colocavam projetos elaborados por profissionais da área ambiental na fila interminável dos "a conferir".
Atualmente, com a formação contínua de tecnólogos de Meio Ambiente e engenheiros ambientais, além de centenas de cursos de especialização na área ambiental para engenheiros, geógrafos, químicos, dentre outros, surgiram no mercado milhares de profissionais habilitados a elaborar a documentação técnica necessária para licenciar uma empresa, seja do ramo de comércio, da indústria, do campo ou de serviços.
Mas os órgãos ambientais tratam esses profissionais como incapazes tecnicamente e fazem questão de conferir seus trabalhos para somente então conceder a licença ambiental das empresas. Será que os profissionais da área ambiental são menos capazes que os engenheiros que fazem os cálculos estruturais de prédios, pontes e viadutos? Por que ninguém confere os serviços desses últimos?
E, também, por que ninguém confere o trabalho dos engenheiros que fazem os projetos elétricos e hidráulicos de residências, prédios, indústrias e shopping centers? Já imaginaram se as prefeituras fossem conferir os cálculos estruturais de prédios como se os engenheiros não tivessem sido treinados para fazê-los? Então por que na área ambiental os órgãos têm que conferir os projetos elaborados por especialistas?
No Paraná isto está para acabar, como afirmou de forma categórica o secretário estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Jonel Iurk, no Seminário Paranaense de Mudanças Climáticas, promovido nos dias 13 e 14 de outubro pelo Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (CEAL).
Os órgãos ambientais devem verificar se o profissional e sua equipe técnica são de fato habilitados para fazer determinados trabalhos, exigir a ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) junto a seu órgão de classe e, posteriormente, ir a uma empresa licenciada para checar se o projetado foi realmente executado e, em caso contrário, punir o profissional pelo erro cometido.
Os conselhos de classe devem se mobilizar para acabar com esta tutela do Estado brasileiro sobre seus profissionais em todos os Estados. Com isso, quem ganha é a preservação do meio ambiente. O que atrapalha a preservação é a burocracia, que dificulta e atrasa a concessão de licenças ambientais. E a burocracia peca não só pela falta de técnicos nos órgãos ambientais, mas, além disso, pela mania da tutela do Estado sobre tudo.
Autor: Fernando de Barros
Texto originariamente publicado no Jornal Folha do Paraná e no site da Master Ambiental.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Pesquisa do Ibope revela que apenas 48% das empresas possuem políticas de sustentabilidade

O Ibope realizou uma pesquisa com 400 médias e grandes empresas brasileiras e multinacionais atuantes no Brasil, dos ramos da indústria, comércio e serviços, para saber como o empresariado vê e trata a questão ambiental.
O estudo mostra que 94% dos entrevistados dizem ter conhecimento sobre o assunto. Porém, apenas 48% das empresas ouvidas têm políticas de sustentabilidade com metas e ações planejadas. Outras 45% praticam ações pontuais e 7% afirmam não ter qualquer medida para um modelo de gestão sustentável.
Em 52% das entrevistas, as áreas que elaboram e executam as ações são distintas. Das áreas responsáveis pela execução, em mais de 40% das empresas são as equipes de marketing e comercial que geram as ações.
“Talvez isso indique que o peso das ações ainda se volte para a imagem da empresa ou de seus produtos, mais do que um comprometimento com o médio e longo prazo”, explica o diretor executivo do Ibope Ambiental, Shigueo Watanabe.
Quando existe um conselho ou comitê de sustentabilidade, quase 20% dos membros não pertencem aos quadros da corporação. “Isso demonstra que começa a existir a percepção de que a amplitude e dinâmica do tema exigem opiniões de pessoas de fora da empresa”, explica.
As pressões de clientes e consumidores para que a empresa seja sustentável também aparecem no estudo, uma vez que 70% dos entrevistados afirmaram que seus clientes já procuraram saber se a organização tem algum projeto de sustentabilidade implantado.
Ao responder como os empresários acreditam que será o consumidor de 2022, 91% dizem que os consumidores estarão mais atentos ao posicionamento sustentável, onde comprarão marcas de organizações socialmente responsáveis, 83% acham que os consumidores estarão dispostos a pagar mais caro por produtos que não agridam ao meio ambiente e 69% afirmam que a relação custo/benefício será o critério principal de compra.
“Portanto, o desafio do empresário é harmonizar o custo/benefício de seus produtos e serviços com a sustentabilidade”, explica Watanabe.
A pesquisa foi realizada para marcar o lançamento da nova unidade do Grupo Ibope, o Ibope Ambiental. A empresa trabalhará em duas linhas de negócios distintas. A primeira, de consultoria, desenvolverá projetos em segmentos como estratégias de sustentabilidade, gerenciamento e reporte de emissões de gases de efeito estufa para governos, autarquias e setor privado. A outra área de atuação abrange certificações e inicialmente trabalhará nos mercados de carbono, regulados e voluntários, validando e verificando projetos de redução de emissões.
* Publicado originalmente pelo Ibope e retirado do site CarbonoBrasil.
(CarbonoBrasil)

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Reciclando a vida: transformando o futuro

Por: Joelma do Couto no blog Inventar a vida


Laíssa Sobral Martins matricula-se no curso de gestão ambiental de uma universidade privada. Mais tarde voltaremos ao tema.

Esta história poderia começar de muitas maneiras, mas resolvi começar pela mãe, afinal, a mãe é o principio, é onde todos começam.

A mãe de nossa personagem, Laíssa, chama-se Mara Lúcia Sobral Santos. Baiana, vive desde muito pequena em São Paulo. Mara Lúcia, aos nove anos, perdeu a mãe. Se com a mãe a vida já não era fácil, sem ela, o que dizer. Mara Lúcia e suas três irmãs foram parar em um abrigo para menores. De lá, ela fugiu, negou-se a aceitar os maus tratos. Foi para as ruas e, lá, aprendeu com a vida a se virar. As ruas do centro da cidade foram sua escola, sua vida, seu diploma e seu carrasco. Mas Mara Lúcia preferia assim, era um preço alto pela liberdade, porém, era a liberdade.

Nas idas e vindas da vida, Mara Lúcia conheceu homens e mulheres, teve amantes, amados e odiados. Teve dois filhos, Laíssa e Everton. Com duas crianças nos braços, teve que deixar as ruas, precisava um porto seguro. Voltou às raízes, foi para a região do Grajaú, mais exatamente para a Vila Rubi, onde cresceu. Ocupou um barraco, sem telhado, cobriu com uma lona. Lá nasceu a bela Rafaela.

Para criar os filhos, trabalhou como doméstica, vendeu balas nos pontos de ônibus, fez de tudo um pouco.

A pequena Laíssa aos poucos viu seu pequeno barraco se encher de caras novas, a mãe, coração mole, foi abrindo a casa para outras crianças e adolescentes vítimas de violência e de abandono. Vieram os gêmeos, um morreu. A Joana com seus dois filhos. Enfim, nove irmãos adotivos, todos dentro de um barraco de quatro cômodos em cima de um córrego. Mas felizes e protegidos.

Aqui a história da Laíssa começa a mudar.  Um dia, sua mãe fica sabendo que no bairro da Granja Julieta, zona sul de São Paulo havia sido criada uma cooperativa de catadores, era a gestão de Marta Suplicy.

Mara Lúcia então começa a trabalhar na cooperativa, juntamente com sua filha adotiva, Joana. Laíssa e o irmão, Everton, ficam em casa com os irmãos menores. Não sobra muito tempo para os estudos. Também não há uma preocupação, digamos que os estudos não são prioridade. Na favela, lugar por muitos chamados de senzala moderna, poucas pessoas sonham em ir para a universidade. Em meio a enchentes, incêndios, ratos, tráfico de drogas, violência policial, pagar o aluguel, comer, garantir creches para os filhos etc., etc…. Universidade é o de menos, se completar o ensino fundamental já “tá no lucro”. Para Everton, irmão de Laíssa, “A Universidade é algo muito distante de nós, muito longe de mim”.

Da cooperativa de reciclagem, sua mãe tira tudo que precisam pra a sobrevivência, bolsas, móveis, brinquedos, o salário que no fim do mês alimentará a todos. A vida não é fácil, mas, para Mara Lúcia é mais difícil. Trabalhar numa cooperativa de catadores não é trabalho fácil. Na cidade de São Paulo, não existe uma política pública que incentive e apoie a catação. Existe um decreto do prefeito Gilberto Kassab, que não é devidamente aplicado.

Para uma mulher com 12 filhos, sem marido, o que sobra da sociedade é ouro. Laíssa sente no dia a dia a dor da mãe que se esforça para mantê-los longe das drogas, da prostituição. Mara Lúcia luta, luta para conseguir dar a seus filhos o lar que não teve. Laíssa comenta, “Lembro bem de uma aula de história em que meu professor contava a história da feijoada: a princípio era alimento dos negros escravos, feito com os restos que o senhor da casa-grande não comia. Depois, os brancos ricos descobriram o valor da feijoada e se apossaram dela. Hoje vejo mesmo acontecer com o lixo que nossas famílias coleta e vendem para a reciclagem há mais de 60  anos. Os ricos descobriram o valor da reciclagem e querem mais uma vez nos passar a perna”.

Como já disse, nada na vida de Mara Lúcia e seus filhos é fácil. Numa noite, meados de dezembro, mais precisamente dia 9 dezembro de 2008, alguém passa pela Avenida Alceu Mainardi de Araújo e atira fogo na cooperativa. Rapidamente o fogo que em contato com muito papelão, se espalha e destrói os sonhos, sonhados ou não de cerca de 80 trabalhadores que daquele espaço retiravam seu sustento.

Neste momento a vida de Laíssa se transforma totalmente. Sua mãe por não concordar com as atitudes que considera desumanas, por parte da presidente da cooperativa, Marcia Abadia, está trabalhando em outra cooperativa, mas ao ser chamada pelos antigos colegas de trabalho para somar na luta pela reabertura da cooperativa, joga tudo pelos ares, e vai, insanamente, lutar contra a Prefeitura da cidade de São Paulo e todos aqueles que não querem a cooperativa no local por questões imobiliárias ou por questões econômicas. O mercado da reciclagem é um mercado bilionário.

Durante o ano de 2009, Laíssa viu faltar sabonete, tomou banho gelado no rigoroso inverno, faltou leite para os pequenos, faltou ânimo para estudar. Laíssa que estava no terceiro ano do ensino médio, repetiu. No entanto, naquela altura do campeonato, o que significava perder o ano para quem não tinha o que colocar na mesa?

Mara Lúcia enfrentou a revolta dos filhos que não entediam porque ela deixou um emprego certo para lutar por uma causa que nem era sua, era do pessoal da Granja. Na comunidade Mara e seus filhos eram motivo de chacota, até mesmo na escola, os chamados ‘Lixeiros’, eram humilhados.

Sem apoio das outras cooperativas que morriam de medo da Prefeitura, Mara Lúcia encontrou apoio no Movimento Nacional do Povo da Rua. Lá a vida de Laíssa começou a mudar. O movimento do povo da rua é organizado. Por ironia, foi com o povo da rua que Laíssa começou a entender que tinha que voltar a estudar. Aprendeu o valor da Educação. Uma vez por mês o povo da rua se reúne para, no “Fala Rua”, discutir, debater, criar políticas púbicas capazes de diminuir a exclusão social. Com o povo da rua, Laíssa conheceu a Rede Rua de Comunicação, a Revista OCAS, e muitas, muitas pessoas sérias comprometidas com a construção de um país mais justo para todos. A família de Mara Lúcia, liderada por Laíssa, cria uma banda, a banda da cooperativa Granja Julieta. A banda toca em dezembro de 2009 (um ano após o incêndio) para o Presidente Lula. No Natal Solidário toca para pessoas em situação de Rua na Praça da Sé, centro de São Paulo. Laíssa começa a viajar, participar de seminários de formação, de palestras, sua mente se abre para um mundo que até então ela não conhecia.
Comovido com a luta de Mara Lúcia e seus companheiros catadores, o Presidente da República Luís Inácio Lula da Silva, telefona para o então Prefeito da Cidade de São Paulo Gilberto Kassab e pede que este reabra a cooperativa. No dia 27 de dezembro de 2009, um domingo, a pedido o Presidente da República o Prefeito visita o espaço onde funcionará a cooperativa de catadores da Granja Julieta.

Algo que parecia impossível aconteceu, a cooperativa da Granja Julieta reabriu. Devido a muitas brigas, empurra-empurra, a cooperativa passa a funcionar na Rua Carmo do Rio Verde próxima ao antigo espaço à Avenida Alceu Maynard de Araújo. Sem estrutura, o trabalho na cooperativa não é fácil, porém necessário. Laíssa começa a trabalhar com sua mãe. O Trabalho duro e braçal. Eles não têm empilhadeiras, esteiras, caminhões, a estrutura básica para um trabalho digno. Apesar de o governo federal ter disponibilizado seis milhões de reais há três anos, para a Prefeitura investir em suas centrais de triagem, o dinheiro continua na Caixa Econômica, sem uso.

Na casa de Laíssa uma mudança: Joana passa a ficar em casa para cuidar das crianças e, Laíssa e Everton, já maiores de idade, vão trabalhar com a mãe. Laíssa dorme na cooperativa. Transferiu-se para uma classe de EJA (Educação de Jovens e Adultos), na Escola Estadual Plínio Negrão, próxima a cooperativa. Para Laíssa a mudança não foi tão simples como se parece, sua mãe não queria permitir que ela dormisse na cooperativa; “Se ela ficar aqui dentro, comer, trabalhar, dormir, fizer da cooperativa seu lar, estará imersa no lixo e isso não é bom”, afirmava Mara Lúcia. Mas, Laíssa insistiu, trabalhar o dia todo, estudar a noite e voltar para casa seria muito cansativo, “se eu dormir aqui, (na cooperativa) ganharei umas horas a mais de sono e de estudo”.

Durante o ano de 2010, Laíssa fez cursos de formação ministrados por ONGs, pelos movimentos sociais e conheceu o Teto. A ONG “Um Teto para meu país”, criada, no Chile, em 1997, pelo Padre Felipe Berríos. O Teto como é chamada carinhosamente pelos universitários busca construir casas de madeira pré-fabricadas, para famílias em situação de risco. Num primeiro momento integrante da ONG procuram o poder público local e a comunidade para negociar e expor suas propostas. Em um segundo estágio constroem as casas. A construção é feita por universitários em férias. A ONG que chegou ao Brasil em 2002,construindo 20 casas no estado de Pernambuco. Laíssa e seu irmão Everton, em julho de 2010, ajudaram a construir cerca de 50 casas na Favela da Padroeira, em Osasco. Desta parceria, brotou em Laíssa e Everton o desejo maior de serem universitários. Da experiência nasceram belas amizades entre estudantes de classe média alta e adolescente favelados, que nunca haviam pensado na possibilidade de frequentar uma universidade ou fazer um intercambio. Mas Laíssa não se sentia verdadeiramente do Teto, não é universitária.

A experiência foi frutífera, porém dolorida. Laíssa se lembrou dos tempos em que sua mãe mal tinha o que colocar na mesa para eles comerem e ainda tinha que se concentrar e continuar lutando, pois a cooperativa estava reaberta, o trabalho garantido, apesar da falta de estrutura. Só que a Prefeitura está realizando uma obra de canalização de córrego bem no córrego da Vila Rubi, Laíssa, sua mãe e seus irmãos deverão deixar o lar que conhecem para um local sabe se lá onde. A preocupação é imensa, mal acabaram de sair de uma luta e já estão em outra. Para Mara Lúcia, “nós pobres somos como ping-pong nas mãos dos ricos: se estamos aqui nos jogam lá, se estamos lá nos jogam acolá”.

Depois de muita negociação e do apoio do Senador Eduardo Suplicy a Secretaria de Habitação da Prefeitura de São Paulo resolveu pagar 3 aluguéis para Mara Lúcia, afinal naquele lar em cima do córrego moram 12 pessoas mais aí começa outro problema, agora eles tem o dinheiro para alugar uma casa descente para todos até que saia o apartamento prometido pela Prefeitura, mas quem será  o fiador? Uma solução seria pagar o seguro fiança, 2500,00 reais por ano. A família não tem dinheiro para mais este gasto.  Mais uma vez Laíssa volta no tempo e fala da Lei de terras de 1850. “A lei de terras de 1850 deixou os negros de fora, transformou a terra em algo lucrativo, era um bem que só quem tinha dinheiro podia comprar. Para negros foros era apenas uma ilusão”. Mara Lúcia complementa a fala: “Era melhor quando éramos escravos, nessa época sabíamos que nosso lugar era a senzala, e agora qual é o nosso lugar? Me diga um lugar nesta cidade onde os pobres não estejam sendo expulsos”.

O medo é constante, a incerteza uma companheira de horas eternas. Só que neste momento o coração de Laíssa tem mais um motivo para sangrar. Ela quer estudar. Quer sair da favela, quer uma segurança, segurança esta que ela tem certeza só encontrará estudando muito.

Concentrar-se numa escola depois de um dia de trabalho na reciclagem não é fácil. Na cooperativa da Granja Julieta o trabalho é duro, eles precisam conviver com pessoas com sérios problemas mentais, dependentes químicos, deficientes físicos, trabalhar no sol e na chuva, no fim do dia o corpo e a mente estão “acabados”. Para piorar, Laíssa estuda em uma sala com mais de 60 alunos. A sala é pequena para tanta gente, quem chega atrasado tem que ir buscar carteiras em outras salas, atrapalhando assim a aula já em andamento. O calor é intenso mesmo no inverno. Laíssa, que tem bronquite, sofre com crises de falta de ar. “Noutro dia – conta Laíssa – uma colega de sala teve um ataque de nervos. Depois que a acalmamos ficamos sabendo o motivo: ela é deficiente auditiva e não conseguia entender o que a professora explicava”.

Houve um movimento na escola para dividir a sala, mas disseram que não havia motivo para tanto, que em pouco tempo muitos alunos deixariam de frequentar o curso e a sala ficaria mais“vazia”.

Às vezes Laíssa chora, sente além das dificuldades o preconceito, daqueles que a veem como lixeira e não como agente ambiental. Noutro dia no banheiro do colégio ouviu algumas colegas “tirarem um sarro” de sua profissão, falavam com desprezo e descaso. Também diziam que era mentira que ela fazia parte dos movimentos todos que ela contava na sala de aula. A forma pejorativa a que se referiam a ela e seus colegas de trabalho doeram fundo, a fez inclusive pensar em deixar a escola. Na cooperativa a história acabou virando piada, pois catadores de origem mais humilde queriam ir até a escola tirar satisfação com as meninas que tinham magoado a Lalá. Um deles queria ir até a polícia, pois “brulim” é crime. Como na cooperativa da Granja tudo é motivo para festa, o “brulim” da Lalá virou mais um motivo para o riso.

Apesar das dificuldades Laíssa não se queixa dos professores, tem carinho e respeito por todos. Aprendeu desde cedo que a vida não é fácil, mas que não existe outra forma de enfrentá-la que não seja de frente.

Lembram-se da frase inicial “Sexta-feira, 12 de novembro de 2010. Laíssa Sobral Martins matricula-se no curso de gestão ambiental de uma universidade privada”, a guerreira Laíssa, está na universidade. Mais uma menina negra, favelada, sofrida, adentra pelos portões das universidades brasileiras. Dentre em pouco ela deixará ser uma catadora e será uma gestora ambiental.

Laíssa entra para as estatísticas que mostram que em sete anos mais jovens negros e pardos entraram para a universidade do que nos últimos 500 anos. Em 2004 quando o governo Lula implantou o sistema de cotas na Universidade de Brasília (UnB) apenas 2% dos estudantes universitários brasileiros eram negros, apesar de a população negra representar mais de 46% da população brasileira. Atualmente quase um milhão de estudantes negros estão em cursos superiores.

Mas, como a vida não é fácil, ela tem medo muito medo do preconceito que encontrará na universidade, pois diferentemente dos outros alunos o pagamento de sua mensalidade sairá de seu trabalho na cooperativa. Trabalho este que, muitos brasileiros ainda não conhecem e não entendem o valor.

Na sexta-feira, 12 de novembro de 2010, lembrei-me de um encontro do Presidente Lula com os catadores, no qual ele disse que sonhava em ver não só os filhos dos catadores na universidade, como também os catadores.

Laíssa é o primeiro diploma da família. Mara e suas irmãs não completaram nem o fundamental. Agora, Laíssa, catadora e filha de catadora é universitária.