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terça-feira, 12 de julho de 2016

ABATE DA MÃE DE TOURO QUE MATOU TOUREIRO NA ESPANHA GERA REVOLTA

O toureiro Victor Barrio foi morto no sábado durante uma tourada na Espanha (Foto: Castilla La Mancha TV via AP)
Como manda a tradição das touradas da Espanha, quando um touro mata o toureiro na arena a mãe dele é abatida para “matar aquela linhagem”. O fato, noticiado pelo “El Pais” causou revolta nas redes sociais, mas o jornal de Teruel, “ABC”, informou que a vaca já havia sido sacrificada alguns dias antes do incidente por conta da idade avançada.
A prática de sacrificar os touros causou a fúria dos defensores de animais, que alegam que a vaca não deveria pagar pela morte do toureiro. Victor Barrio, de 29 anos, morreu na tarde do último sábado em Teruel, quando foi atingido no peito. A morte dele foi transmitida ao vivo na TV Espanhola, e as imagens são chocantes. A vaca, mãe do touro Lorenzo, se chamava Lorenza. No Twitter, defensores dos animais começaram a usar a #salvemaLorenza para que o animal não fosse sacrificado, mas a vaca já morreu.

Vitor Barrio foi enterrado sob aplausos e grito de "toureiro, toureiro"

Ainda segundo o jornal "ABC", Barrio foi enterrado com aplausos neste domingo com gritos de "toureiro, toureiro". Sua quadrilha, a equipe de assistentes do toureiro, carregou o caixão com o corpo do jovem. Ele oi enterrado na cidade de Sepulveda, província de Segóvia. O município decretou dois dias de luto oficial.
Victor Barrio era considerado uma promessa das touradas do país. Quando começou a atuar, em 2008, os amigos debocharam dele. Ao longo do tempo ele foi conquistando títulos e uma legião de fãs, especialmente as crianças.
Ele estava se preparando para Teruel e, no último dia 4 de julho, Barrio postou uma foto de seu treinamento fazendo referência ao evento. “Com a cabeça em Teruel”, escreveu ao lado de uma imagem com um touro e hashtags do festival e das emissoras de TV espanholas.

Segundo o jornal "El pais", embora as mortes em corridas de touro da Espanha sejam relativamente comuns, em todo o mundo a última morte de um toureiro profissional foi em 1987 quando José Eslava Caceres teve os pulmões perfurados. No século passado, dos 134 toureiros profissionais, 33 morreram por conta de ferimentos causados nas arenas.
Publicado originalmente no site: www.olharanimal.org

terça-feira, 21 de junho de 2016

O LEGADO DA ONÇA JUMA


Uma lição a ser aprendida



A morte de Juma, a onça-pintada que participou de uma cerimônia com a tocha olímpica em Manaus-AM na segunda-feira 20 de junho de 2016, revela o drama de uma espécie ameaçada de extinção e gera questionamentos sobre a manutenção de animais selvagens.

A onça em questão era "mascote" do CIGS (Centro de Instrução de Guerra na Selva . Este foi o primeiro erro. A falta de respeito à natureza selvagem de um grande felino.Onças não são "mascotes"...não devem ser tratadas como animais de estimação!

Muitas onças, como Juma, se tornam mascotes dos batalhões e passam por sessões de treinamento. Em Manaus, os felinos são presença frequente em desfiles militares, prática condenada por biólogos e veterinários.

Juma foi levada, na coleira para a cerimônia da Tocha Olímpica no CIGS. Um equívoco gigante! Retirar o animal de seu recinto, onde ele estava habituado e provavelmente se sentia seguro, e levá-lo na coleira para uma cerimônia é um stress absurdo para um grande felino.

Depois da passagem da tocha olímpica a onça ficou nervosa e durante a crise de estresse causado pelo barulho, pessoas por perto e o fogo a onça se soltou na volta para o recinto, mas poderia ter escapado no meio da cerimônia, e agora teríamos, talvez também, pessoas mortas ou feridas,


Isso é um desrespeito, é transformar a cerimônia, literalmente, em um circo. E circos com animais não deveriam existir. Especialmente um circo administrado pelo exército.


E hoje uma foi abatida porque algumas pessoas sem noção, sem respeito e sem um mínimo de profissionalismo decidiram que ela deveria fazer parte de um show.

A morte desta onça não foi um acidente. Foi a consequência de uma decisão absurda tomada por quem deveria ser responsável pela segurança e bem-estar deste animal. 

 Extinção


O destino trágico de Juma chama a atenção para a situação cada mais precária da espécie. 
  
No Brasil, a Onça-Pintada é listada pelo IBAMA  desde 2003 como ameaçada de extinção. Globalmente é classificada  pela IUCN - União Internacional para a conservação da Natureza desde 2008 como “quase ameaçada”.

A conversão de seu habitat natural para atividades agropecuárias é a principal causa da redução de 50% de sua distribuição original, sendo que a espécie foi extinta em dois (Uruguai e El Salvador) dos 21 países em que ocorria historicamente.

A onça-pintada é legalmente protegida na maioria dos países que compreendem a sua distribuição – somente na Bolívia a caça ainda é permitida; e a espécie não tem nenhuma proteção legal no Equador e Guiana.


A Lição


Esperamos que ao menos, o legado de esse triste episódio, seja o de que o ser humano passe a utilizar a inteligência que, teoricamente, o diferencia das demais classes de animais, para refletir sobre a situação e que isso nos faça rever as condutas hoje utilizadas em locais como o CIGS.

Acredito que, no caso específico dos militares brasileiros, que a vergonha dessa tentativa desastrada de chamar a atenção num evento das olimpíadas, com uma onça, os façam mudar os procedimentos de uso e manuseio desses e outros animais selvagens. Evitando atividades que visem domesticá-los, treiná-los ou expô-los a situações de stress desnecessários. 
Trágica ironia, a onça é a mascote do time do Brasil.