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terça-feira, 27 de setembro de 2016

Conheça “A História das Coisas” o simples e incrível video de Annie Leonard

"Precisamos fazer uma nova revolução industrial que transforme nossos sistemas de produção e consumo drasticamente"

Em 2012 jornal O Globo publicou uma interessante entrevista com a ambientalista Annie Leonard, do conhecido vídeo “A História das Coisas (Story of Stuff). Nesta entrevista, Annie diz coisas que não podemos perder de vista, e ainda mais quanto mais mergulhamos num cotidiano de consumismo excessivo – e, muitas vezes, desnecessário:

“Há ainda milhões e milhões de pessoas no mundo que vivem na pobreza, que vão dormir com fome e que precisam de bens materiais básicos de saúde e educação. Para essas pessoas, é importante, essencial. Mas também há milhões de pessoas que têm mais do que realmente precisam. Essas pessoas associam status, felicidade e segurança à quantidade de bens que possuem. Felizmente, eu percebo que muita gente começa a pensar de forma diferente.“



Para quem não lembra, ou não assistiu A História das Coisas, trata-se deste excelente vídeo, logo abaixo:


Na entrevista, Annie fala sobre suas inspirações para o vídeo (que depois virou livro), suas viagens pelo mundo e a enorme quantidade de e-mails que ela recebe de braisleiros. Fala também sobre os desperdícios gerados pelo nosso consumismo excessivo, educação ambiental, sustentabilidade e também sobre felicidade.

Muito interessante a entrevista. Vale a pena conferir.

“Annie Leonard: A revolução do consumo e da felicidade”

De onde vem o papel que você segura neste momento? O quão sustentável é a camiseta supostamente ecologicamente correta que acaba de comprar? A mulher que respondeu a essas e a centenas de outras perguntas sobre produção de bens de consumo se tornou uma celebridade. A ambientalista americana Annie Leonard ficou mundialmente famosa pelo vídeo “A história das coisas”, exibido milhões de vezes no YouTube. O curta ganhou uma versão em livro — o homônimo “A história das coisas” (Editora Zahar). Em ambos, Annie defende não só a sustentabilidade, mas a felicidade.

O Globo: Qual a sua inspiração para fazer o vídeo e escrever “A história das coisas”?
Annie Leonard: Quando era estudante universitária em Nova York, me impressionava muito com as monumentais pilhas de lixo depositadas nas ruas todos os dias. Um dia resolvi abrir os sacos para ver o que as pessoas jogavam fora. Fiquei chocada ao descobrir que havia muito material reutilizável, especialmente papel e metal. Então resolvi ir ao depósito de lixo da cidade. Havia montanhas de móveis, roupas, livros, comida. Isso despertou minha curiosidade sobre a função das coisas em nossas vidas. De onde elas vem, para onde vão e como administrar melhor sua produção e uso. Depois de formada, trabalhei para ONGs ambientais e viajei pelo mundo.Vi os impactos ambiental, social e de saúde ocultos das coisas que usamos e jogamos fora. Fiquei frustrada que o custo real de todos os bens que consumimos não é explicitado nas propagandas que nos encorajam a comprar coisas para nos assegurar felicidade, sucesso e segurança. Eu queria promover uma discussão mais honesta sobre padrões de produção e consumo.

O Globo: Como surgiu a ideia do filme e do livro?
Annie: Comecei fazendo um cartoon para descrever os sistemas de ação e consumo. E deu certo! Depois criamos um vídeo de 20 minutos e o postamos em dezembro de 2007. Para minha surpresa, foi um sucesso. Já foi exibido mais de 15 milhões de vezes, acessado em praticamente todos os países do mundo. O livro “A história das coisas” foi continuação desse trabalho.

O Globo: Você viajou por mais 40 países para pesquisar como as coisas são produzidas e descartadas. O que descobriu? O que viu de mais significativo?
Annie: A lição mais importante que aprendi é que há muitos meios de criar um mundo melhor. Soluções economicamente viáveis já existem, energia renovável à produção limpa e resíduos zero. Precisamos fazer uma nova revolução industrial que transforme nossos sistemas de produção e consumo drasticamente, reduza o gasto de energia e água, elimine substâncias tóxicas, tornem os produtos mais duráveis. Precisamos investir mais em ação, saúde e meio ambiente, e não no acúmulo de coisas. Há muitos problemas ambientais para resolver, do caos climático ao colapso dos recursos pesqueiros. Seria fácil ficar deprimido se não tivéssemos tantas boas alternativas já disponíveis. Felizmente, podemos começar a construir um futuro $agora. Em cada país que visito vejo pessoas — de professores a pais, empresários e até mesmo políticos — que trabalham para um futuro melhor. Isso me dá uma grande esperança.

O Globo: Você já esteve no Brasil?
Annie: Ainda não, mas espero conhecer o Brasil. É um dos países onde mais gente assistiu ao meu filme. Recebemos milhares de e-mails de brasileiros, de pessoas que concordam com a mensagem de “A história das coisas” e trabalham para um ambiente mais saudável, sustentável e justo.


O Globo: Como podemos tornar nossa vida mais sustentável e feliz?
Annie: Pensando por nós mesmos. Estabelecendo nossa própria medição de satisfação. Não deixando comerciais instilarem um senso de inadequação que nos faça achar necessárias coisas das quais realmente não precisamos. Conhecendo melhor nossos valores e visão de uma vida feliz, e os pondo em prática.

O Globo: Como mudanças pessoais podem fazer diferença?
Annie: Escolhas responsáveis, como consumir o necessário, cuidar do lixo e usar menos carro, nos fazem não só nos sentirmos melhor quanto inspiram outras pessoas a fazer o mesmo, a levar uma vida ambientalmente responsável. É claro, o impacto ambiental das indústrias é maior, mas nosso grande potencial de mudança é a chance de pressionar por novos padrões de produção e consumo. É preciso mudar a mentalidade das pessoas sobre o lixo e o desperdício, fazê-las associar isso a sua vida pessoal.

O Globo: Qual a melhor forma de educar as pessoas sobre meio ambiente?
Annie: Nossa economia, nossa saúde, nossas vidas dependem de termos um ambiente saudável, mas a educação ambiental por muitos anos tem sido segregada como uma área de estudo opcional. Precisamos mudar isso. A consciência de nosso papel no meio ambiente deve permear todas as áreas de educação, inclusive as profissionais, como medicina ou negócios. Afinal, não existirão negócios, hospitais e produtos num planeta morto.

O Globo: Como podemos conciliar nossa necessidade de coisas como computadores, geladeiras etc. com o impacto ambiental que causam?
Annie: Eu não estou dizendo que devemos nos desapegar de tudo. O que eu digo é que os bens de consumo precisam ser saudáveis e seguros para o planeta, para quem os produz e para nós mesmos. Por exemplo, hoje os telefones celulares têm metais tóxicos. E também não duram nada. Somos estimulados a comprar sempre modelos novos, em campanhas publicitárias milionárias, que estigmatizam os aparelhos mais antigos. O ideal é que os aparelhos durassem mais, pudessem ser atualizados e utilizassem tecnologias que facilitassem a reciclagem. Hoje, nos EUA, o tempo de vida útil médio de um celular é de apenas um ano. Se considerarmos a quantidade de energia e os materiais necessários para produzir um celular, uma vida útil tão curta é uma verdadeira tragédia. Eu não sou contra ter coisas. Eu apenas defendo um consumo mais responsável. Defendo que as coisas sejam mais duráveis e possam ser recicladas.

O Globo: O que você faz para reduzir seu consumo, reutilizar produtos e proteger os recursos naturais?
Annie: Eu compro menos coisas novas. Em parte porque eu levo muito a sério a responsabilidade ecológica e também porque eu não quero a minha casa entulhada de coisas. Há aparelhos, como impressoras, por exemplo, que podem ser compartilhados com amigos. Poderíamos compartilhar mais certos aparelhos e mesmo carros. DVDs, livros, tudo isso pode ser compartilhado e trocado entre amigos.

O Globo: A publicidade tem um grande impacto em nossa vida. Como podemos lidar melhor com isso?
Annie: Eu tenho recebido muitos e-mails do Brasil que expressam exatamente preocupação com isso. Muitos anúncios fomentam uma sensação de ansiedade ou inadequação se você não tem um determinado produto. Todos os dias ouvimos que nosso cabelo e nosso corpo poderiam melhorar com esse ou aquele produto; que não temos um bom carro ou celular. Temos mais coisas do que qualquer geração antes da nossa e nem por isso somos mais felizes. Na verdade, somos mais infelizes do que as gerações que nos antecederam. Por isso, é prioritário limitar a publicidade para crianças, só estimula uma sensação permanente de insatisfação. Também deveria haver leis mais rígidas em relação à honestidade da informação que é veiculada. Precisamos encorajar o pensamento crítico sobre a publicidade. Ter coisas demais não aumenta nossa qualidade de vida.


O Globo: Como podemos passar de uma cultura acostumada a jogar coisas fora a outra de lixo zero, que valorize produtos não-tóxicos?
Annie: Não existe uma receita mágica. A solução está em várias frentes simultâneas. Numa delas podemos recompensar cidades e indústrias que reduzam o lixo e implementem taxas para grandes poluidores. Na frente tecnológica é importante desenvolver produtos com menos uso de materiais, que sejam mais duráveis e facilitem a reciclagem. Na frente cultural, estimular valores que não sejam baseados no consumo excessivo, investir em centros comunitários que compartilhem cultura. Na frente econômica, é preciso parar de favorecer indústrias poluidoras e incentivar a sustentabilidade. Há muitas estratégias e desafios. Mas muitos problemas ecológicos não são realmente difíceis de resolver. Já existem boas tecnologias e informação para fazer as coisas mudarem. A falta de ação é indesculpável.

O Globo: O materialismo realmente nos faz infelizes?
Annie: A despeito de todas as que pregam que consumir mais coisas nos torna mais felizes, um crescente número de pesquisas tem mostrado o contrário. Uma orientação de vida altamente materialista só aumenta a insegurança e a ansiedade. Eu não estou dizendo que comprar um produto novo nunca nos faz felizes. Mas à medida que consumimos mais, a satisfação vai diminuindo. Nosso primeiro ou segundo casaco certamente tiveram um impacto maior do que o 12 ou 13. Além disso, também nos preocupamos com os gastos. Obviamente, todas essas considerações só valem para quem pode consumir. Claro que pessoas que lutam para comprar comida a cada dia ficam muito felizes quando podem comprar alguma coisa. Mas quando falo de consumismo, estou me referindo a quem já tem o suficiente.

O Globo: Nossa sociedade está mesmo passando por um momento de mudança de paradigma? Como a economia global pode se adaptar?
Annie: Há ainda milhões e milhões de pessoas no mundo que vivem na pobreza, que vão dormir com fome e que precisam de bens materiais básicos de saúde e educação. Para essas pessoas, é importante, essencial. Mas também há milhões de pessoas que têm mais do que realmente precisam. Essas pessoas associam status, felicidade e segurança à quantidade de bens que possuem. Felizmente, eu percebo que muita gente começa a pensar de forma diferente.
Muitas pessoas começam a se sentir sufocadas no meio de um oceano de coisas. Nossas casas estão cheias. Nossas garagens estão lotadas. Passamos nosso tempo livre comprando, arrumando as muitas coisas que compramos. Temos mais coisas, porém, menos amigos do que as gerações anteriores. Estamos nos tornando socialmente isolados e solitários.
Por isso, muita gente começa a perceber que as coisas mais importantes na nossa vida não são coisas materiais. Temos um excesso de coisas e um déficit do que realmente importa: tempo para lazer, para vida em comunidade, senso de significado em nossas vidas. Pessoas de todos os países ricos do mundo começam a reconsiderar suas prioridades, aprender a como viver melhor com menos, e a construir redes de compartilhamento de coisas.
Você facilita o acesso a uma série de produtos que precisa apenas por parte do tempo, como cortadores de grama, copiadoras, e não precisa mais ser consumido pelo excesso. Já vemos mudanças na economia em busca de um novo modelo. Negócios baseados em aluguel de carros, DVDs e mesmo vestidos caros começam a florescer em toda parte. Para esse tipo de negócio, que são uma forma de inovação, há muitas oportunidades. E é um caminho de sucesso que não está baseado na destruição dos recursos do planeta.
Eu sei que existe um longo caminho para uma economia global sustentável. Há desafios. Mas esses desafios não são nada se comparados com o desastre que nos espera se tentarmos continuar com o modelo atual indefinidamente. A questão não é se a economia irá se adaptar. Mas como ela fará isso. Simplesmente não podemos manter para sempre nosso ritmo de consumo atual. Vamos mudar por vontade própria e estratégia ou devido a um desastre. Eu prefiro que mudemos por estratégia e acho que já começamos!

quarta-feira, 13 de julho de 2016

UFMT - EDITAL COMPLEMENTAR DE INSCRIÇÃO PARA O CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO LATO SENSU EM “EDUCAÇÃO AMBIENTAL CAMPENSINA”

A Coordenação do Curso de Especialização em Educação Ambiental Campesina, no uso de suas atribuições legais, torna público o presente Edital, visando à seleção de candidatos para 10 (dez) vagas complementares.

1.                 CARACTERIZAÇÃO DO CURSO
PERÍODO DE REALIZAÇÃO
       INÍCIO 02/02/2016  (O curso foi aprovado pela Resolução CONSEPE Nº44, de 29 de abril de 2013).
       TÉRMINO 15/05/2018.
O curso finaliza suas atividades com a apresentação dos trabalhos de conclusão de curso (artigo 9, inciso VIII da resolução CONSEPE 75/2005)
 CARGA HORÁRIA: 360h (trezentos e sessenta horas).
PERIODICIDADE: Os Círculos de Cultura, com 90h cada, serão oferecidos duas vezes ao ano (15 e/ou 20 dias corridos por Círculos de Cultura - módulos/eixos) em regime integral neste período. Sendo que, a metodologia da Pedagogia da Alternância é fundamental para a realização das atividades pedagógicas da especialização. Previsão para os círculos de cultura: julho/2016; novembro/2016; janeiro/fevereiro/2017; julho/2017 e janeiro/fevereiro/2018.
 NÚMERO DE VAGAS DESTE EDITAL: 10 vagas complementares.
  
      2.    Critérios de Seleção e Pré-Requisitos para ingresso no Curso
a) Ser graduado;
b) Ser vinculado a um assentamento de reforma agrária, oficializado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA, conforme orientações do Manual de Operações do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária – PRONERA de 2014, no Capítulo 01 - item 1.5 (Beneficiários do PRONERA);
c) Atuar prioritariamente em atividades ligadas à educação nos assentamentos rurais; ou atuar
na coordenação pedagógica de escolas do campo ou em cursos formais/centros de formação nas áreas de Reforma Agrária;
d) Ter disponibilidade para a realização do curso em todas as suas etapas;
e) Apresentar uma carta de intenção de ingresso no curso com base nos artigos do Anexo II.

      3.     INSCRIÇÃO
As inscrições deverão ser efetuadas somente via e-mail eacampesina@gmail.com. Enviar escaneado a FICHA DE INSCRIÇÃO (ANEXO I) e a Carta de Intenção. Posteriormente, os originais destes documentos deveão ser enviado por CORREIO (CARTA REGISTRADA OU SEDEX) ou entregues pessoalmente nesse endereço: Universidade Federal de Mato Grosso, Instituto de Educação, Grupo Pesquisador em Educação Ambiental, Comunicação e Arte (sala 66), Curso de Especialização em Educação Ambiental Campesina. Endereço: Av. Fernando Corrêa da Costa, nº 2.367, Campus UFMT Cuiabá, Bairro: Boa Esperança, Cuiabá/MT, CEP: 78060-900. As inscrições para este edital complementar deverão ser enviadas por e-mail no período de: 12 a 18 de julho de 2016.
  
       4.      PÚBLICO BENEFICIADO:
Profissionais de nível superior (graduados), pertencente ao público beneficiário do PRONERA (conforme determina o Manual de Operações do PRONERA de 2014 no Capítulo 01, item 1.5 Beneficiários do PRONERA),  ser vinculado a um assentamento de reforma agrária oficializado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA; e/ou atuar prioritariamente em atividades ligadas à educação nos assentamentos rurais; e/ou atuar na coordenação pedagógica de escolas do campo ou em cursos formais/centros de formação nas áreas de Reforma Agrária;
  
5.    PROCESSO SELETIVO
A seleção será efetuada através da proposta enviada no ato da inscrição onde o candidato deverá apresentar uma carta de intenção de ingresso no curso conforme letra e do item 02 (deste edital) com a seguinte formatação: quantidade de páginas: mínimo 2 e máximo 5, fonte arial, tamanho 12, espaçamento entre linhas 1,5. Bibliografia básica para a seleção (disponível no Anexo II)

5.1 A seleção complementar ocorrerá de acordo com o seguinte Calendário:
Período de Inscrições por e-mail - 12 a 18 de julho de 2016
Divulgação do Resultado - 19 de julho de 2016
Período de Recurso - 19 e 20 de julho de 2016
Resultado Final - 21 de julho de 2016

5.1         RECURSOS
O não cumprimento das normas estipulados neste Edital implicará na exclusão do candidato na seleção.
Caberá recurso em relação à seleção no prazo estipulado de 17 e 18/12/2015 (O pedido deverá ser justificado, expondo de forma clara e objetiva e indicar com precisão o ponto sobre o qual versa o recurso).
A solicitação deverá ser dirigida a Coordenação do Curso em questão, por meio de correio eletrônico para eacampesina@gmail.com

6.   MATRICULA

Os candidatos aprovados deverão efetivar sua matrícula no começo do Primeiro Círculo de Cultura, com a seguinte documentação:
       Ficha de inscrição assinada (modelo no Anexo I)
       Copia da certidão de nascimento ou casamento
       Copia do título de reservista para os homens
       Copia do título eleitoral com o comprovante da ultima eleição ou declaração de quitação com a Justiça Eleitoral
       Cópia do diploma de graduação ou declaração de conclusão do curso de graduação autenticado;
       Cópia do histórico escolar de graduação;
       Cópia da identidade autenticada;
       Cópia do CPF;
       Declaração de beneficiário da reforma agrária ou cópia autenticada;
  
7.               OUTRAS INFORMAÇÕES:
Universidade Federal de Mato Grosso, Instituto de Educação, Grupo Pesquisador em Educação Ambiental, Comunicação e Arte (sala 66), Curso de especialização em Educação Ambiental Campesina. Endereço: Av. Fernando Corrêa da Costa, nº 2.367, Campus UFMT, Bairro: Boa Esperança,Cuiabá/MT, CEP: 78060-900. Email: eacampesina@gmail.com

Os casos omissos e as situações não previstas nesta chamada serão resolvidos pela Coordenação do Curso de Especialização Educação Ambiental Campesina - CEEAC
 Cuiabá, 12 de julho de 2016.

Profª Dra. Regina Aparecida da Silva
Coordenação do Curso de Especialização Educação Ambiental Campesina



Fonte: http://gpeaufmt.blogspot.com.br

domingo, 10 de julho de 2016

EDUCAÇÃO AMBIENTAL ROMPENDO PAREDES

Qual o espaço adequado para se disseminar a Educação Ambiental?

De bate pronto a maioria tende a responder que é nas escolas e faculdades, mas a verdade é que não é somente entre essas paredes que isso pode e deve ser feito. Aliás, os melhores exemplos estão justamente rompendo esse antigo costume.

Não que escolas e espaços universitários não sejam espaços que precisam ser trabalhados, aliás, precisam e muito, mas fora dessas paredes existe um mundo, e é esse MUNDO que a EA precisa conquistar cada vez mais.

Um bom exemplo de rompimento de velhos hábitos pude observar nesse domingo 10/07, quando tive a grata surpresa de assistir uma apresentação de TCC – Trabalho de Conclusão de Curso da Pós Graduação em Educação Ambiental com Ênfase em Espaços Educadores Sustentáveis da UNILA - Universidade Latino Americana.

O lugar, que habitualmente não recebia, esse tipo de atividade se demonstrou ser perfeito.


Sentados no chão orientadores, orientadas, público convidado e os transeuntes, que, como eu, estavam na habitual feirinha da JK de domingo e se interessaram pela temática e por ali ficaram.



Todos vestidos adequadamente para a ocasião: camisetas, shorts, saias, chinelos de dedo ou com os pés descasos, lá estávamos.  



O Tema? "FLORES DA FRONTEIRA: ESTRATÉGIA DE CONSTRUÇÃO COLETIVA E PRÁTICAS SUSTENTÁVEIS PARA A QUALIDADE DE VIDA"

Segundo o Facebook do Coletivo Flores da Fronteira  https://www.facebook.com/floresdafronteira/ “A proposta de apresentação na feira tem o intuito de quebrar as barreiras da universidade, oferecendo a oportunidade para todos terem acesso a pesquisa, e mais, reunir saberes, criando um ambiente de trocas e convivência neste espaço público.”
Segundo a minha avaliação, as autoras Alana Carla Hauptt Centine Borges e Caudiara Ribeiro merecem nota 10, pois souberam como poucos se contextualizar no processo, desde a escolha do objeto de estudo até o local e formato da sua apresentação.

A aula de hoje é extraída do Resumo desse TCC :

“O padrão de sociedade atual entende evolução como dominação e exploração da natureza. O resultado disso é uma crise de percepção e degradação ambiental. Criar estratégias que contribuam para a construção de uma sociedade sustentável é emergencial. O caminho para esta sociedade esta sustentável é emergencial. A educação ambiental possui extrema relevância nesse processo. O caminho para essa sociedade está no despertar de seus sujeitos para o sentimento do pertencimento a esta sociedade, de fora que ele se sinta ativo e representado diante da tomada de decisões. Os coletivos existentes hoje podem ser compreendidos como estratégia significativa nesse processo de construção. A disseminação de espaços públicos de expressão popular, de debates político-sociais a de prática sustentáveis estão ganhando cada vez mais intensidade no sentido de ação contra-hegemônica. O coletivo Flores da Fronteira, de Foz do Iguaçu Paraná, presente neste estudo, podem Ser entendido como um experimento em um período de transição para um modelo de sociedade sustentável. Para compreender as estratégias e motivações e contribuir para o aprimoramento do coletivo foi desenvolvida pesquisa qualitativa de base etnográfica. O coletivo hoje foi tomando consciência de relevância de sua existência na tríplice fronteira (Brasil, Paraguai e Argentina), como exemplo de boa pratica e demonstração de inconformismo perante o modelo atual de sociedade”


                           Concepções pedagógicas contra-hegemônicas

O texto do TCC traz ainda, em seu escopo, a necessidade de quebra de paradigmas nos atuais sistemas produtivos:   "De acordo com a Declaração Final da Cúpula dos Povos, as alternativas estariam nos projetos com características contra-hegemônicas, como por exemplo, na gestão participativa, economia cooperativa e solidária, novo modelo de distribuição, de consumo e produção e mudanças de matriz energética (2012)."


 Conheça o “Coletivo Flores da Fronteira” ou “Coletivo Florescência”

Segundo a descrição da fanpage do grupo: "O coletivo surgiu da vontade de somar lindos trabalhos artesanais da cidade, enquanto procurávamos um novo cenário para nossa arte. Nos reunimos, então, em uma roda de conversa e tcharãããm! Nos juntamos, brotamos, florescemos e cá estamos.”

O grupo faz uma séria de atividades que envolvem o emponderamento do coletivo da consciência cultural e socioambiental, o próximo é a segunda edição do mais florido e divertido bazar da fronteira.

Veja o que diz a agenda criada no Facebook:

Dia 16/07 é dia de muita arte, música, pescaria, quentão, comidas típicas vegetarianas e veganas...  Só amor! Vem se aquecer com a gente em volta da fogueira, vem...

❀ Tem artesanato em Foz do Iguaçu? Tem sim, sinhô! ❀

O
 Coletivo Florescência, organizado por artesãos alternativos e independentes da fronteira, volta em sua 2ª edição com clima julino, calor da fogueira e cheiro de quentão! 

No dia 16 de julho, a partir das 14h, nossos artesãos estarão reunidos no
 Espaço Cultural Energia com suas artes em tecido, papel, vidro e todo outro tipo de material, além de comidinhas típicas vegetarianas e veganas e muuuuito quentão, de vinho e de hibisco, para aquecer todo mundo.
Vem pr'esse arraiá do amor, dançar quadrilha, se esquentar na fogueira, brincar de pescaria, conhecer os pequenos artesões que florescem por aqui e provar dos nossos quitutes gostosos e saudáveis, vem!

❤ Entrada colaborativa: R$2 ou um agasalho ❤

Quem vai colorir esse arraiá?
~ 7temperos - Culinária Árabe
~ Alice Maneschy, com exposição "Espaço-nada"
~ Arte da Lú (Luciana Lourenço)
~ Brechó das Manas (Acervo Tati Bafo - Brechó / Acervo Joy Hick- Brechó)
~ Coelho Jujuba
~ DaMata
~ Daniela Valiente
~ Do 705
~ Elemental (Alana Carla)
~ Espírito Livre (Luciana de Melo e Juampi Lauria)
~ Florir ~ Arte e Yoga (Mayara Brecher)
~ Lendárius de Pano.
~ Mistress Acid
~ Oficina Tubaína
~ Panelinha Saudável

E as brincadeiras julinas?
~ Argolas com vários brindes

~ Coelho elegante, com o Juliano Brusnicki do Coelho Jujuba

Quem vai embalar essa festança?
~ DJ Alice Maneschy, com muito forró e arrastá-pé junino

Muito mais ainda está por vir!

Para mais infos: fb.com/coletivoflorescência
"Tudo o que é feito com amor, floresce."


quinta-feira, 30 de junho de 2016

30 de junho - Dia da Mídia Social. Mais um motivo para lembrá-lo que você pode ajudar a lutar pelo planeta mesmo sem levantar da cadeira.

O Social Media Day é uma homenagem ao impacto e revolução que as mídias sociais provocaram (e provocam) nas sociedades contemporâneas.

Além de mudar totalmente os meios de comunicação, as mídias sociais proporcionaram a capacidade de interação direta entre os produtores das informações e a audiência, ou seja, o público em massa.

Graças ao surgimento da mídia social, as produções e divulgações de conteúdos deixaram de se concentrar exclusivamente nas mãos das grandes emissoras e veículos de comunicação em massa.

A ideia de criar esta data surgiu a partir de uma iniciativa do site Mashable, em 2010, que convidou a todas as pessoas que utilizavam constantemente as mídias sociais a refletirem sobre as importantes mudanças que proporcionaram a vida das pessoas.

Em 2015, a Organização das Nações Unidas (ONU) festejou oficialmente pela primeira vez o Dia da Mídia Social.

Atualmente, esta data é comemorada em mais de 90 países, através de uma série de atividades, como palestras e debates abertos ao público em geral. Mas, os usuários das redes sociais podem participar de todas as regiões do planeta através da hashtag#SMDay.


A Mídia Social e a Militância Ambiental

Os blogs ao longo do tempo se apresentaram como um meio facilitador nos processos de produção e disseminação de conteúdo dos movimentos sociais e organizações civis. Fazendo uso das ferramentas da web 2.0, foi possível dar uma maior visibilidade às lutas, denúncias e reivindicações dos sujeitos atingidos e vulnerabilizados pelas injustiças socioambientais.

Agora, todos podem (com mínimos recursos) produzir e circular informação sem pedir autorização ou o aval a quem quer que seja.

As novas tecnologias do campo da comunicação se configuram como instrumentos estratégicos para as demandas dos movimentos sociais e organizações civis. A enorme onda de insatisfação diante do cenário atual de injustiças e desigualdades sociais fomentou a criação de uma grande rede de indivíduos que se interconectam e juntos podem transformar a realidade sem sair da sua cadeira.

É comum vermos empresas e governos mudando de posição apenas devido a pressão virtual dos internautas. Trata-se da nova dimensão de “lugar” que o ciberespaço ofereceu para os indivíduos. É inegável a superação das fronteiras de espaço quando falamos de tecnologias virtuais.

O desafio de colocar em pauta a negação de um modelo de desenvolvimento baseado basicamente em desigualdades sociais e devastação ambiental. Esse desafio é que busco colocar a você, leitor desse texto, pois mais que nunca é uma tarefa que a sua cibermilitância pode executar para proporcionar um futuro melhor pra si e seus descendentes.
Faça isso, seja on ou off line.
#Compartilhe 


Fontes:

Texto : Ciberativismo: A extensão da militância no espaço virtual -  Abiglacy Rodrigues e Julianna Formiga Moura Sinval - Faculdades Nordeste - Fanor, Fortaleza CE

http://www.calendarr.com/brasil/calendario-junho-2016/

quarta-feira, 29 de junho de 2016

29 DE JUNHO: DIA MUNDIAL DA CARTA DA TERRA

Criada no ano 2000 para nos alertar sobre a necessidade de preservar e cuidar do planeta, a Carta da Terra completa 16 anos.
O primeiro rascunho do documento, que recebeu o nome de Carta da Terra, foi feito em 1992, durante a Conferência Rio92, no Rio de Janeiro. Oito anos mais tarde, em 29 de junho de 2000, a versão final foi divulgada, na sede da Unesco, em Haia, na Holanda.
Traduzida para 40 idiomas, A Carta da Terra contém 16 princípios básicos agrupados em quatro grandes tópicos: respeitar e cuidar da comunidade de vida; integridade ecológica; justiça social e econômica; democracia, violência e paz.
A Carta da Terra é um "código de ética planetário", semelhante à Declaração Universal dos Direitos Humanos, só que voltado à sustentabilidade, à paz e à justiça socioeconômica. No Brasil, o documento ganhou uma versão infantil. O Núcleo dos Amigos da Infância e da Adolescência (Naia) em parceria com a Unicef e o governo do Rio Grande do Sul, criou a "Carta da Terra para Crianças" buscando envolvê-las no processo de construção de uma sociedade mais sustentável.

A CARTA DA TERRA

PREÂMBULO

Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações.

Terra, Nosso Lar

A humanidade é parte de um vasto universo em evolução. A Terra, nosso lar, está viva com uma comunidade de vida única. As forças da natureza fazem da existência uma aventura exigente e incerta, mas a Terra providenciou as condições essenciais para a evolução da vida.
 A capacidade de recuperação da comunidade da vida e o bem-estar da humanidade dependem da preservação de uma biosfera saudável com todos seus sistemas ecológicos, uma rica variedade de plantas e animais, solos férteis, águas puras e ar limpo. O meio ambiente global com seus recursos finitos é uma preocupação comum de todas as pessoas. A proteção da vitalidade, diversidade e beleza da Terra é um dever sagrado.

A Situação Global
Os padrões dominantes de produção e consumo estão causando devastação ambiental, redução dos recursos e uma massiva extinção de espécies. Comunidades estão sendo arruinadas. Os benefícios do desenvolvimento não estão sendo divididos eqüitativamente e o fosso entre ricos e pobres está aumentando. A injustiça, a pobreza, a ignorância e os conflitos violentos têm aumentado e são causa de grande sofrimento. O crescimento sem precedentes da população humana tem sobrecarregado os sistemas ecológico e social. As bases da segurança global estão ameaçadas. Essas tendências são perigosas, mas não inevitáveis.

Desafios Para o Futuro

A escolha é nossa: formar uma aliança global para cuidar da Terra e uns dos outros, ou arriscar a nossa destruição e a da diversidade da vida. São necessárias mudanças fundamentais dos nossos valores, instituições e modos de vida. Devemos entender que, quando as necessidades básicas forem atingidas, o desenvolvimento humano será primariamente voltado a ser mais, não a ter mais. Temos o conhecimento e a tecnologia necessários para abastecer a todos e reduzir nossos impactos ao meio ambiente. O surgimento de uma sociedade civil global está criando novas oportunidades para construir um mundo democrático e humano.
Nossos desafios ambientais, econômicos, políticos, sociais e espirituais estão interligados, e juntos podemos forjar soluções includentes.



Responsabilidade Universal

Para realizar estas aspirações, devemos decidir viver com um sentido de responsabilidade universal, identificando-nos com toda a comunidade terrestre bem como com nossa comunidade local. Somos, ao mesmo tempo, cidadãos de nações diferentes e de um mundo no qual a dimensão local e global estão ligadas. Cada um compartilha da responsabilidade pelo presente e pelo futuro, pelo bem-estar da família humana e de todo o mundo dos seres vivos.
O espírito de solidariedade humana e de parentesco com toda a vida é fortalecido quando vivemos com reverência o mistério da existência, com gratidão pelo dom da vida, e com humildade considerando em relação ao lugar que ocupa o ser humano na natureza.
Necessitamos com urgência de uma visão compartilhada de valores básicos para proporcionar um fundamento ético à comunidade mundial emergente. Portanto, juntos na esperança, afirmamos os seguintes princípios, todos interdependentes, visando um modo de vida sustentável como critério comum, através dos quais a conduta de todos os indivíduos, organizações, empresas, governos, e instituições transnacionais será guiada e avaliada.

PRINCÍPIOS I - RESPEITAR E CUIDAR DA COMUNIDADE DA VIDA

1-Respeitar a Terra e a vida em toda sua diversidade.
a. Reconhecer que todos os seres são interligados e cada forma de vida tem valor, independentemente de sua utilidade para os seres humanos.
b. Afirmar a fé na dignidade inerente de todos os seres humanos e no potencial intelectual, artístico, ético e espiritual da humanidade.

2- Cuidar da comunidade da vida com compreensão, compaixão e amor.
a. Aceitar que, com o direito de possuir, administrar e usar os recursos naturais vem o dever de impedir o dano causado ao meio ambiente e de proteger os direitos das pessoas.
b. Assumir que o aumento da liberdade, dos conhecimentos e do poder implica responsabilidade na promoção do bem comum.

3. Construir sociedades democráticas que sejam justas, participativas, sustentáveis e pacíficas.
a. Assegurar que as comunidades em todos níveis garantam os direitos humanos e as liberdades fundamentais e proporcionem a cada um a oportunidade de realizar seu pleno potencial.
b. Promover a justiça econômica e social, propiciando a todos a consecução de uma subsistência significativa e segura, que seja ecologicamente responsável.

4. Garantir as dádivas e a beleza da Terra para as atuais e as futuras gerações.
a. Reconhecer que a liberdade de ação de cada geração é condicionada pelas necessidades das gerações futuras.
b. Transmitir às futuras gerações valores, tradições e instituições que apóiem, em longo prazo, a prosperidade das comunidades humanas e ecológicas da Terra. Para poder cumprir estes quatro amplos compromissos, é necessário:

II. INTEGRIDADE ECOLÓGICA

 5. Proteger e restaurar a integridade dos sistemas ecológicos da Terra, com especial preocupação pela diversidade biológica e pelos processos naturais que sustentam a vida.
a. Adotar planos e regulamentações de desenvolvimento sustentável em todos os níveis que façam com que a conservação ambiental e a reabilitação sejam parte integral de todas as iniciativas de desenvolvimento.
 b. Estabelecer e proteger as reservas com uma natureza viável e da biosfera, incluindo terras selvagens e áreas marinhas, para proteger os sistemas de sustento à vida da Terra, manter a biodiversidade e preservar nossa herança natural.
c. Promover a recuperação de espécies e ecossistemas ameaçadas.
d. Controlar e erradicar organismos não-nativos ou modificados geneticamente que causem dano às espécies nativas, ao meio ambiente, e prevenir a introdução desses organismos daninhos.
e. Manejar o uso de recursos renováveis como água, solo, produtos florestais e vida marinha de forma que não excedam as taxas de regeneração e que protejam a sanidade dos ecossistemas.
f. Manejar a extração e o uso de recursos não-renováveis, como minerais e combustíveis fósseis de forma que diminuam a exaustão e não causem dano ambiental grave.

6. Prevenir o dano ao ambiente como o melhor método de proteção ambiental e, quando o conhecimento for limitado, assumir uma postura de precaução.
a. Orientar ações para evitar a possibilidade de sérios ou irreversíveis danos ambientais mesmo quando a informação científica for incompleta ou não conclusiva.
b. Impor o ônus da prova àqueles que afirmarem que a atividade proposta não causará dano significativo e fazer com que os grupos sejam responsabilizados pelo dano ambiental.
c. Garantir que a decisão a ser tomada se oriente pelas conseqüências humanas globais, cumulativas, de longo prazo, indiretas e de longo alcance.
d. Impedir a poluição de qualquer parte do meio ambiente e não permitir o aumento de substâncias radioativas, tóxicas ou outras substâncias perigosas.
e. Evitar que atividades militares causem dano ao meio ambiente.

7. Adotar padrões de produção, consumo e reprodução que protejam as capacidades regenerativas da Terra, os direitos humanos e o bem-estar comunitário.
a. Reduzir, reutilizar e reciclar materiais usados nos sistemas de produção e consumo e garantir que os resíduos possam ser assimilados pelos sistemas ecológicos.
b. Atuar com restrição e eficiência no uso de energia e recorrer cada vez mais aos recursos energéticos renováveis, como a energia solar e do vento.
c. Promover o desenvolvimento, a adoção e a transferência eqüitativa de tecnologias ambientais saudáveis.
d. Incluir totalmente os custos ambientais e sociais de bens e serviços no preço de venda e habilitar os consumidores a identificar produtos que satisfaçam as mais altas normas sociais e ambientais.
e. Garantir acesso universal à assistência de saúde que fomente a saúde reprodutiva e a reprodução responsável.
f. Adotar estilos de vida que acentuem a qualidade de vida e subsistência material num mundo finito.

8. Avançar o estudo da sustentabilidade ecológica e promover a troca aberta e a ampla aplicação do conhecimento adquirido.
a. Apoiar a cooperação científica e técnica internacional relacionada a sustentabilidade, com especial atenção às necessidades das nações em desenvolvimento.
b. Reconhecer e preservar os conhecimentos tradicionais e a sabedoria espiritual em todas as culturas que contribuam para a proteção ambiental e o bem-estar humano.
c. Garantir que informações de vital importância para a saúde humana e para a proteção ambiental, incluindo informação genética, estejam disponíveis ao domínio público.

III. JUSTIÇA SOCIAL E ECONÔMICA

9. Erradicar a pobreza como um imperativo ético, social e ambiental.
a. Garantir o direito à água potável, ao ar puro, à segurança alimentar, aos solos não contaminados, ao abrigo e saneamento seguro, distribuindo os recursos nacionais e internacionais requeridos.
b. Prover cada ser humano de educação e recursos para assegurar uma subsistência sustentável, e proporcionar seguro social e segurança coletiva a todos aqueles que não são capazes de manter-se por conta própria.
c. Reconhecer os ignorados, proteger os vulneráveis, servir àqueles que sofrem, e permitir-lhes desenvolver suas capacidades e alcançar suas aspirações.

10. Garantir que as atividades e instituições econômicas em todos os níveis promovam o desenvolvimento humano de forma eqüitativa e sustentável.

a. Promover a distribuição eqüitativa da riqueza dentro das e entre as nações.
b. Incrementar os recursos intelectuais, financeiros, técnicos e sociais das nações em desenvolvimento e isentá-las de dívidas internacionais onerosas.
c. Garantir que todas as transações comerciais apóiem o uso de recursos sustentáveis, a proteção ambiental e normas trabalhistas progressistas.
d. Exigir que corporações multinacionais e organizações financeiras internacionais atuem com transparência em benefício do bem comum e responsabilizá-las pelas conseqüências de suas atividades.

11. Afirmar a igualdade e a eqüidade de gênero como pré-requisitos para o desenvolvimento sustentável e assegurar o acesso universal à educação, assistência de saúde e às oportunidades econômicas.
a. Assegurar os direitos humanos das mulheres e das meninas e acabar com toda violência contra elas.
b. Promover a participação ativa das mulheres em todos os aspectos da vida econômica, política, civil, social e cultural como parceiras plenas e paritárias, tomadoras de decisão, líderes e beneficiárias.
 c. Fortalecer as famílias e garantir a segurança e a educação amorosa de todos os membros da família.

12. Defender, sem discriminação, os direitos de todas as pessoas a um ambiente natural e social, capaz de assegurar a dignidade humana, a saúde corporal e o bem-estar espiritual, concedendo especial atenção aos direitos dos povos indígenas e minorias.
a. Eliminar a discriminação em todas suas formas, como as baseadas em raça, cor, gênero, orientação sexual, religião, idioma e origem nacional, étnica ou social.
b. Afirmar o direito dos povos indígenas à sua espiritualidade, conhecimentos, terras e recursos, assim como às suas práticas relacionadas a formas sustentáveis de vida.
c. Honrar e apoiar os jovens das nossas comunidades, habilitando-os a cumprir seu papel essencial na criação de sociedades sustentáveis.
 d. Proteger e restaurar lugares notáveis pelo significado cultural e espiritual.


IV. DEMOCRACIA, NÃO VIOLÊNCIA E PAZ

13. Fortalecer as instituições democráticas em todos os níveis e proporcionar-lhes transparência e prestação de contas no exercício do governo, participação inclusiva na tomada de decisões, e acesso à justiça.
a. Defender o direito de todas as pessoas no sentido de receber informação clara e oportuna sobre assuntos ambientais e todos os planos de desenvolvimento e atividades que poderiam afetá-las ou nos quais tenham interesse.
b. Apoiar sociedades civis locais, regionais e globais e promover a participação significativa de todos os indivíduos e organizações na tomada de decisões.
c. Proteger os direitos à liberdade de opinião, de expressão, de assembléia pacífica, de associação e de oposição.
d. Instituir o acesso efetivo e eficiente a procedimentos administrativos e judiciais independentes, incluindo retificação e compensação por danos ambientais e pela ameaça de tais danos.
e. Eliminar a corrupção em todas as instituições públicas e privadas. f. Fortalecer as comunidades locais, habilitando-as a cuidar dos seus próprios ambientes, e atribuir responsabilidades ambientais aos níveis governamentais onde possam ser cumpridas mais efetivamente.

14. Integrar, na educação formal e na aprendizagem ao longo da vida, os conhecimentos, valores e habilidades necessárias para um modo de vida sustentável.
a. Oferecer a todos, especialmente a crianças e jovens, oportunidades educativas que lhes permitam contribuir ativamente para o desenvolvimento sustentável.
b. Promover a contribuição das artes e humanidades, assim como das ciências, na educação para sustentabilidade.
c. Intensificar o papel dos meios de comunicação de massa no sentido de aumentar a sensibilização para os desafios ecológicos e sociais.
d. Reconhecer a importância da educação moral e espiritual para uma subsistência sustentável.

15. Tratar todos os seres vivos com respeito e consideração.
a. Impedir crueldades aos animais mantidos em sociedades humanas e protegê-los de sofrimentos.
b. Proteger animais selvagens de métodos de caça, armadilhas e pesca que causem sofrimento extremo, prolongado ou evitável.
c. Evitar ou eliminar ao máximo possível a captura ou destruição de espécies não visadas.

16. Promover uma cultura de tolerância, não violência e paz.
a. Estimular e apoiar o entendimento mútuo, a solidariedade e a cooperação entre todas as pessoas, dentro das e entre as nações.
b. Implementar estratégias amplas para prevenir conflitos violentos e usar a colaboração na resolução de problemas para manejar e resolver conflitos ambientais e outras disputas.
c. Desmilitarizar os sistemas de segurança nacional até chegar ao nível de uma postura não provocativa da defesa e converter os recursos militares em propósitos pacíficos, incluindo restauração ecológica.
d. Eliminar armas nucleares, biológicas e tóxicas e outras armas de destruição em massa.
e. Assegurar que o uso do espaço orbital e cósmico mantenha a proteção ambiental e a paz.
f. Reconhecer que a paz é a plenitude criada por relações corretas consigo mesmo, com outras pessoas, outras culturas, outras vidas, com a Terra e com a totalidade maior da qual somos parte.

O CAMINHO ADIANTE

 Como nunca antes na história, o destino comum nos conclama a buscar um novo começo. Tal renovação é a promessa dos princípios da Carta da Terra. Para cumprir esta promessa, temos que nos comprometer a adotar e promover os valores e objetivos da Carta.
 Isto requer uma mudança na mente e no coração. Requer um novo sentido de interdependência global e de responsabilidade universal. Devemos desenvolver e aplicar com imaginação a visão de um modo de vida sustentável aos níveis local, nacional, regional e global. Nossa diversidade cultural é uma herança preciosa, e diferentes culturas encontrarão suas próprias e distintas formas de realizar esta visão. Devemos aprofundar expandir o diálogo global gerado pela Carta da Terra, porque temos muito que aprender a partir da busca iminente e conjunta por verdade e sabedoria.
A vida muitas vezes envolve tensões entre valores importantes. Isto pode significar escolhas difíceis. Porém, necessitamos encontrar caminhos para harmonizar a diversidade com a unidade, o exercício da liberdade com o bem comum, objetivos de curto prazo com metas de longo prazo. Todo indivíduo, família, organização e comunidade têm um papel vital a desempenhar. As artes, as ciências, as religiões, as instituições educativas, os meios de comunicação, as empresas, as organizações não-governamentais e os governos são todos chamados a oferecer uma liderança criativa. A parceria entre governo, sociedade civil e empresas é essencial para uma governabilidade efetiva.
Para construir uma comunidade global sustentável, as nações do mundo devem renovar seu compromisso com as Nações Unidas, cumprir com suas obrigações respeitando os acordos internacionais existentes e apoiar a implementação dos princípios da Carta da Terra com um instrumento internacional legalmente unificador quanto ao ambiente e ao desenvolvimento.
Que o nosso tempo seja lembrado pelo despertar de uma nova reverência face à vida, pelo compromisso firme de alcançar a sustentabilidade, a intensificação da luta pela justiça e pela paz, e a alegre celebração da vida.

Conheça A Carta da Terra para crianças.
http://www.paulofreire.org/…/pd…/carta_da_terra_criancas.pdf
Fontes: