NaturalMente é a união da inteligencia humana com o ambiente natural e sua perfeição. Disso surgiu esse blog ambiental, mantido por Andre Alliana e parceiros.
A morte de Juma, a onça-pintada que
participou de uma cerimônia com a tocha olímpica em Manaus-AMna segunda-feira 20 de junho de 2016, revela o drama de uma
espécie ameaçada de extinção e gera questionamentos sobre a manutenção de
animais selvagens.
A onça em questão era "mascote" do CIGS
(Centro de Instrução de Guerra na Selva . Este foi o primeiro erro. A
falta de respeito à natureza selvagem de um grande felino.Onças não são "mascotes"...não devem ser tratadas como animais
de estimação!
Muitas onças, como Juma, se tornam
mascotes dos batalhões e passam por sessões de treinamento. Em Manaus, os
felinos são presença frequente em desfiles militares, prática condenada por
biólogos e veterinários.
Juma foi levada, na coleira para a cerimônia
da Tocha Olímpica no CIGS. Um equívoco gigante! Retirar o animal de seu
recinto, onde ele estava habituado e provavelmente se sentia seguro, e levá-lo
na coleira para uma cerimônia é um stress absurdo para um grande felino.
Depois da passagem da tocha olímpica a onça ficou nervosa e durante a crise de estresse causado pelo barulho, pessoas por perto e o fogo a onça se soltou na volta para o recinto, mas poderia ter escapado no meio da cerimônia, e agora teríamos, talvez também, pessoas mortas ou feridas,
Isso é um desrespeito, é transformar a
cerimônia, literalmente, em um circo. E circos com animais não deveriam
existir. Especialmente um circo administrado pelo exército.
E hoje uma foi abatida porque algumas pessoas sem
noção, sem respeito e sem um mínimo de profissionalismo decidiram que ela
deveria fazer parte de um show.
A morte desta onça não foi um acidente. Foi a
consequência de uma decisão absurda tomada por quem deveria ser responsável
pela segurança e bem-estar deste animal.
Extinção
O destino trágico de Juma chama a
atenção para a situação cada mais precária da espécie.
No Brasil, a Onça-Pintada é listada
pelo IBAMA desde 2003 como ameaçada de extinção. Globalmente é classificada pela IUCN - União Internacional para a conservação da Natureza desde 2008 como “quase ameaçada”. A conversão de seu habitat natural para
atividades agropecuárias é a principal causa da redução de 50% de sua
distribuição original, sendo que a espécie foi extinta
em dois (Uruguai e El Salvador) dos 21 países em que ocorria historicamente. A
onça-pintada é legalmente protegida na maioria dos países que compreendem a sua
distribuição – somente na Bolívia a caça ainda é permitida; e a espécie não tem
nenhuma proteção legal no Equador e Guiana.
A Lição
Esperamos que ao menos, o legado de esse triste episódio, seja o de que
o ser humano passe a utilizar a inteligência que, teoricamente, o diferencia das
demais classes de animais, para refletir sobre a situação e que isso nos faça
rever as condutas hoje utilizadas em locais como o CIGS.
Acredito que, no caso específico dos militares brasileiros, que a
vergonha dessa tentativa desastrada de chamar a atenção num evento das
olimpíadas, com uma onça, os façam mudar os procedimentos de uso e manuseio
desses e outros animais selvagens. Evitando atividades que visem domesticá-los,
treiná-los ou expô-los a situações de stress desnecessários.
Trágica ironia, a onça é a mascote do time do Brasil.
Ao observarmos os movimentos da natureza, coletamos elementos por ela oferecidos e, num trabalho que envolve habilidade, técnica e paciência foi construído uma proposta de valorização da sensibilidade e cultura local. São flores, sementes e folhas que secam e são levadas pelo vento; penas, caules, cascas que gentilmente são disponibilizados pela natureza. São insetos que completaram seu ciclo de vida que potencializam a confecção de cartões e dão nova vida aos materiais utilizados.
Foi escolhido este nome»Arte da Terra» para contextualizar a característica do nosso trabalho: arte colorida com a terra vermelha da nossa cidade porque acreditamos em uma nova consciência com o forma de geração de renda.
É na convivência harmoniosa entre diversos povos da Região das Três Fronteiras, que nossas mãos retratam a alma da região por meio da arte que representa o despertar da sensibilidade e compromisso com respeito à vida.
Os cartões são comercializados pela Cooperativa de Artesanato da Região Oeste do Paraná - COART, que apóia toda a iniciativa de participação social e geração de renda.
"Que o nosso tempo seja lembrado pelo despertar de uma nova referência face à vida, pelo compromisso firme de alcançar s sustentabilidade, a intensificação da luta pela justiça e pela paz a alegre celebração da vida" (Carta da Terra).
A hora é de radicalizar e buscar todas as alternativas que interrompam a fragilização e o aquecimento do planeta.
Não será por falta de declarações, compromissos e reconhecimentos que o processo de enfrentamento das mudanças climáticas não irá alcançar bons resultados durante a realização da COP 21 (Conferência das Partes sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas) em dezembro próximo, em Paris. Mas o que são bons resultados? Basicamente eles se referem a compromissos e não necessariamente alterações no clima realmente perceptíveis
Os mais otimistas poderão dizer que as últimas notícias vindas de grandes emissores como Estados Unidos, China e Brasil; de importantes resoluções adotadas em encontros internacionais como a Cúpula do Desenvolvimento Sustentável e até mesmo por declarações de influentes religiosos como o Papa Francisco e lideranças muçulmanas sobre a importância de se cuidar do planeta, parecem mesmo representar um avanço importante no combate ao aquecimento global e as mudanças climáticas.
Já os mais pessimistas ou, melhor dizendo, os mais realistas, aplaudem esses posicionamentos, mas além de considerá-los ainda tímidos diante dos desafios também perguntam sem obter respostas:
O que está sendo proposto será mesmo suficiente?
E, o que ainda é mais angustiante pensar: ainda dará tempo de reverter todo esse processo?
A Cúpula de Nova York e o Desmatamento no Brasil
Foram boas e alvissareiras as notícias anunciadas durante a Cúpula do Clima realizada no final de setembro em Nova York e que serviu de palco para diversos países apresentarem seus compromissos nacionais a serem ratificados durante a Conferência Climática de Paris (a COP 21). Grandes empresas também buscaram se destacar e se uniram aos líderes mundiais para selar compromissos de descarbonização de suas atividades e investimentos em energias limpas.
A presidenta Dilma Rousseff também apresentou em Nova York o nosso INDC, sigla em inglês para o compromisso nacional determinado. A meta brasileira é diminuir 37% das emissões até 2025, chegando a 43% de redução em 2030. O incremento no uso de energias limpas, o reflorestamento de 12 milhões de hectares e o fim do desmatamento ilegal até 2030 estão entre as propostas para o alcance das metas estabelecidas pelo governo brasileiro.
Mesmo considerando positiva e apoiando em parte o anúncio oficial do país, organizações e movimentos da sociedade civil se pronunciaram quanto à falta de detalhamento e ousadia do Brasil. Fizeram coro com diferentes abordagens, a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura; o coletivo Engajamundo e o Observatório do Clima, entre outros.
Unânime mesmo foi à reprovação da meta de conter definitivamente o desmatamento apenas em 2030. A secretária executiva do Diálogo Florestal, integrante da Coalizão Brasil, Miriam Prochnow, afirmou que “a Coalizão entende que temos a obrigação, inclusive constitucional, de atacar isso imediatamente, com mais força".
Na mesma linha, “declarar que o Brasil vai ‘buscar’ políticas para eliminar o desmatamento ilegal é ridículo. O que o governo está dizendo com isso é que aceita conviver com o crime por sabe-se lá quanto tempo. Isso é uma ofensa ao bom senso e ao que o Brasil já mostrou que pode fazer no controle do desmatamento”, disse Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima. “É preciso lembrar que todos os outros países tropicais já se comprometeram a zerar o desmatamento em 2030”, acrescentou.
Enquanto isso a temperatura sobe cada vez mais
Debates, metas e mesmo críticas à parte, a verdade é que a temperatura continua a subir. Em seu último relatório o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), alertou que a temperatura do planeta subirá quase 5 graus Celsius até 2100.
Já relatório divulgado pela Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA, em inglês) constatou que o mês de julho deste ano foi o mais quente já registrado no mundo. O mês registrou temperatura média de 16,61°C nas superfícies dos continentes e dos oceanos, 0,81°C a mais do que a média de temperatura do século XX. O ano passado já havia sido apontado como o ano mais quente da história moderna. Além disso, os 10 anos mais quentes registrados, com exceção de 1998, ocorreram a partir de 2000.
A água sobe nos oceanos
Uma das consequências desse aumento constante na temperatura está nos mares e oceanos. Recentemente a NASA, órgão aeronáutico e espacial norte-americano, divulgou um estudo com imagens de satélite que revela um aumento de 8 centímetros no nível dos oceano de 1992 para cá, sendo que em alguns lugares do planeta chegou mesmo a 22 centímetros. Derretimentos de geleiras e expansão da água do mar estão entre as principais razões, efeitos, portanto, do aquecimento global.
Só na Groenlândia, por exemplo, a perda de gelo anual está em 303 bilhões de toneladas e na Antártida são em média 118 bilhões de toneladas que todos os anos têm contribuído para elevar o nível dos nossos mares. Se tivermos em mente que muitas das maiores e mais habitadas cidades do mundo estão localizadas em litorais, pode-se imaginar que efeito isso terá num tempo não tão longo.
Entre a constatação do aquecimento planetário e as ações anunciadas para reverter esse processo, o que nos cabe como sociedade é cobrar mais e mais efetividade e urgência. Descarbonizar a economia global, recuperar a cobertura florestal e mudar radicalmente nossa maneira de consumo e descarte não são mais possibilidades ou alternativas, mas necessidades básicas e urgentes para a própria sobrevivência da espécie humana. Vamos, portanto, radicalizar.
Por mais que se queira, a cada dia é mais difícil de fugir dos temas relacionados a mudanças climáticas. A agência espacial norte-americana (Nasa) está dizendo que o mês de junho último “foi o mais quente dos registros históricos” desde 1880. O ano passado já teve temperatura média 0,69 grau acima da média do século 20 e este ano pode quebrar o recorde de temperatura (Estado, 21/7). Novo estudo de pesquisadores do Nepal, França e Holanda revela que as geleiras na região do Everest, no Himalaia, podem diminuir de volume pelo menos em 70% até o fim do século (elas já se reduziram em 13% nos últimos 50 anos).
Em meio a essas notícias, cerca de 2 mil cientistas de mais de cem países se reuniram em Paris entre 7 e 10 de julho para discutir “o nosso futuro comum sob as alterações climáticas”, com o objetivo maior de propor medidas para reduzir, entre 40% e 70% até 2050, as emissões de poluentes atmosféricos que contribuem para o aquecimento global.
E suas principais propostas foram de eliminar os subsídios a energias fósseis, que hoje chegam a US$ 550 bilhões anuais, e de fixar um preço para o carbono emitido em qualquer parte. Nada mais, nada menos, trata-se de enfrentar a resistência de algumas das forças econômicas mais poderosas, como as megaempresas de petróleo, gás e carvão e a indústria de veículos, entre outras. Mas, se nada for feito, a temperatura média do planeta pode aumentar entre 3,7° e 4,8° Celsius até o fim do século – com consequências que poderão ser catastróficas (ISA, 17/7).
Que fará o Brasil? Nossas autoridades da área do meio ambiente parecem não ter ainda chegado a termo com sua proposta final para a conferência do clima de dezembro, também em Paris, quando cada país deverá apresentar seus compromissos obrigatórios para essa área. Admitem que a proposta deverá ser diferente da defendida em 2009. E o País deverá propor a possibilidade de computar os efeitos benéficos de regeneração natural de florestas (só na Amazônia seriam 17 milhões de hectares de florestas secundárias crescendo e capturando carbono). Além disso, quer defender uma compensação pelo desmatamento reduzido até 2020. A proposta só deverá ser conhecida em outubro. Mas pretende-se analisar mais a intenção de reduzir as emissões nas áreas de energia e agropecuária, assim como a participação dos Estados e municípios no debate maior.
Em suas discussões com o presidente Barack Obama, no final de junho, a presidente Dilma Rousseff situou entre 28% e 33% a participação que as energias renováveis deverão ter na matriz energética nacional até 2030 e comprometeu-se a restaurar florestas (Folhapress, 1/7). Há cientistas, como o professor José A. Marengo, do Inpe e da Convenção do Clima, que acham as negociações na área brasileira muito influenciadas pelas posições de diplomatas do Itamaraty, quando o ideal seria “termos cientistas e diplomatas trabalhando juntos” (Ecológico, junho de 2015).
Estudos de cientistas na publicação Nature Climate Change dizem que a meta de limitar o aumento da temperatura a 1,5 grau neste século “não está totalmente fora do alcance”, mas “as possibilidades são remotas e os custos, elevados” (Observatório do Clima, 28/5), com muitas exigências nas áreas de energia e de transportes, principalmente, além de criar preço para as emissões de carbono a ser pago pelos emitentes. E isso exigiria a implantação de tecnologias de baixo carbono.
O professor Ronaldo Serôa da Motta, da UERJ, tem afirmado que a tendência é de que o panorama atual de crise leve os países a assinarem em Paris um “acordo gradualista, com metas pouco ambiciosas até 2030” (Amazonia.org, junho de 2015). Um dos pontos mais difíceis seria estabelecer metas diferenciadas entre os países, proporcionais a suas emissões históricas e atuais. E adaptá-las ao que vem pela frente com o crescimento das emissões dos países emergentes, principalmente China, Índia e Brasil. “A principal questão”, diz ele, “é fazer com que a China e os Estados Unidos aceitem qualquer meta; se eles aceitarem, o acordo sai, porque o mundo rateia o resto”.
As graves inundações estão entre os principais efeitos devastadores da mudança climática. Foto: Shutterstock
A preocupação da sociedade brasileira parece forte diante da lentidão no ritmo oficial de negociações. Pesquisa do Greenpeace e do Observatório do Clima mostra que 95% dos brasileiros acham que as mudanças climáticas já afetam o País, embora 48% entendam que “o governo federal faz menos do que deveria para enfrentar o problema” – e entendem que as mudanças no clima “têm relação com a crise hídrica e a crise energética”.
Têm razão. Texto do livro Urbanização e desastres naturais, de Lucí Hidalgo Nunes (comunitexto.com, 4/7), relaciona os 20 desastres naturais na América do Sul que causaram mais mortes (quase 150 mil) entre 1960 e 2009. São, principalmente, inundações, movimentos de massa úmida ou seca, tempestades e epidemias – que podem estar relacionados com o clima. Outro estudo, da professora Patrícia Pinho, da USP, mostra que a bacia amazônica “experimentou um aumento na variabilidade interanual principalmente no que se refere ao início e fim do período de chuvas”. Um dos ângulos estudados é a relação com El Niño e La Niña: “Há um aumento dos extremos hidrológicos na região”. Pode ser até na mortalidade de peixes e nas plantações.
Notícias recentes confirmam: o tambaqui e o cardinal diminuirão nos próximos tempos, segundo o Inpa (amazonia.org, 21/7), por causa do “impacto de mudanças climáticas”. E parece irreversível o fim da tão louvada pororoca, no encontro das águas do Rio Araguari, no Amapá, com o oceano. Reservatórios de três hidrelétricas, abertura de canais para irrigação de lavouras – que influem no clima e na água – e pastagens passaram a drenar águas do rio. E não haverá mais pororocas. Quem se preocupou?
Mas, como tem dito o cientista Paulo Nobre, do Inpe (Estado, 21/7), “falta de água já é uma questão de segurança pública”. (O Estado de S. Paulo/ #Envolverde)
* Washington Novaes é jornalista/ e-mail: wlrnovaes@uol.com.br.
Mudanças climáticas forçarão a redução das emissões e a adaptação a um mundo mais quente
Três fenômenos vão ditar como será a economia global nas próximas décadas: evolução tecnológica, demografia e as mudanças climáticas. O menos conhecido e mais imprevisível dos três é o clima. A elevação na temperatura do planeta provocada pelas emissões de gases que causam o efeito estufa é um fato que ainda não mostrou totalmente seu poder transformativo. E as mudanças virão, por bem ou por mal.
De acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), a temperatura média da superfície terrestre subiu quase 0,8°C desde o século 19, quando começou a queima de combustíveis fósseis para a produção de energia. O esforço atual das lentas negociações conduzidas pela Organização das Nações Unidas (ONU) está em não permitir que o aquecimento ultrapasse 2ºC. É na busca dessa meta que se concentra a mudança “por bem” na economia.
Manter o aquecimento do globo abaixo de 2°C só é possível com um corte rápido nas emissões. Elas precisam cair a zero até o fim do século, com uma redução de mais de 40% até 2050 em relação a 2010. Isso é necessário para que a concentração de gás carbônico na atmosfera fique abaixo dos 450 ppm (partes por milhão). Sem qualquer ação, esse nível será atingido dentro de 20 anos.
Um corte assim significa repensar uma economia que é dependente do carbono. A geração de energia para movimentar automóveis, fábricas, acender lâmpadas e aquecer e resfriar casas é responsável por 65% das emissões. Outros 11% vêm do desmatamento e da agricultura. Será preciso investir rapidamente em novas fontes de energia, remodelar as cidades e tornar a agricultura mais produtiva.
“Fazenda” de painéis solares na China é exemplo de adoção de uma tecnologia que ajuda a limpar a matriz energética global e que vai crescer nas próximas décadas.
Custos
Uma conta feita pela consultoria McKinsey em 2009 apontava para a necessidade de um investimento anual de até 350 bilhões de euros (em torno de R$ 1,2 trilhão) por ano até 2035 para limpar a matriz energética global. Isso representa 1% do PIB mundial, valor que se somaria aos investimentos já feitos na economia. No ano passado, um relatório da Comissão Global sobre Economia e Clima calculou que seriam necessários US$ 4 trilhões além dos US$ 90 trilhões que seriam normalmente investidos até 2030. O dinheiro extra, portanto, seria pouco. O impasse nas negociações sobre clima está, no fundo, em como fazer o dinheiro sair da economia “suja” para a de baixo carbono.
Os dois relatórios mostrem que muitas tecnologias permitem que haja economia de dinheiro. O uso de leds na iluminação, por exemplo, já se tornou um investimento com retorno positivo no longo prazo. “O potencial para a redução das emissões com ganho econômico é enorme”, diz Carlos Rittl, secretário executivo do Observatório do Clima. “Há tecnologias já testadas, como o etanol de cana de açúcar e a geração eólica, que podem ganhar escala. Além disso, há muito o que fazer em ganho de eficiência energética.”
A transição para a economia de baixo carbono também exigirá o desenvolvimento de novas tecnologias. Um grupo de cientistas do Reino Unido pede que seja criado um “Projeto Apollo Global” para o clima, em referência ao esforço feito nos Estados Unidos para levar o homem à Lua. A proposta é que os países envolvidos apliquem 0,02% do PIB até 2025 no desenvolvimento de painéis solares mais baratos, tecnologias de armazenagem de energia e redes mais inteligentes para a distribuição.
O fato por trás dessa ideia é que as tecnologias atuais ainda não são suficientes para que o ritmo de redução das emissões seja o adequado. As usinas térmicas garantem energia a qualquer hora do dia, o que não ocorre com um painel solar ou torre eólica. Além de ficarem mais baratas, essas fontes precisam ser complementadas por sistemas de armazenamento, como baterias e hidrogênio.
“A economia precisa caminhar para um modelo mais descentralizado de produção e consumo de energia”, resume Carlos Rossin, líder de sustentabilidade da consultoria PwC. “Ao mesmo tempo, os efeitos negativos da produção precisam ser internalizados nos preços.” Isso significa que, em algum momento, taxas, limites e créditos envolvendo as emissões se tornarão uma ferramenta para estimular a adoção de tecnologias mais limpas.
A boa notícia é que o mercado responde aos incentivos. No Brasil, o crédito via BNDES e os leilões de energia fizeram com que os projetos eólicos se multiplicassem. A capacidade instalada no país chegou a 6 GW, o mesmo que vão gerar as hidrelétricas do Rio Madeira. “As políticas públicas serão determinantes. O Plano Decenal de Energia brasileiro ainda prevê 70% dos recursos para energia fóssil”, afirma André Ferretti, gerente de Estratégias de Conservação da Fundação O Boticário.
Ritmo
O tempo para elaborar as políticas certas e fazer o dinheiro ir para o lado limpo da economia é curto e o ritmo atual não é animador. Um estudo da PwC mostra que, globalmente, a queda na intensidade de carbono da economia (uma medida de quanto é emitido para se produzir US$ 1 milhão) foi de 0,6% ao ano entre 2008 e 2013. A taxa precisaria ser de 6,2% ao ano, segundo o estudo.
Uma das razões para a lentidão é a falta de um acordo entre os maiores poluidores. As negociações do clima ainda não levaram a um tratado com a ambição necessária para reduzir as emissões. Neste ano, no fim de novembro, uma reunião que será realizada em Paris, a COP 21, dará mais uma chance para que haja metas para o clima. “Estamos esperando demais. Se houver acordo em Paris, ele só terá efeitos a partir de 2021”, lembra Ferretti.
Até o momento, países em desenvolvimento vêm se recusando a um acordo em que tenham metas iguais às de países desenvolvidos. Em Paris, é possível que haja uma alternativa, com medidas diferentes para cada nação. O que pode ser insuficiente para atender o limite de 2°C.
Um estudo recente do Banco Mundial diz que um aquecimento de 1,5°C está implícito nas emissões já feitas pela humanidade, o que traz consequências inevitáveis, como a redução na produção agrícola, aumento no número de eventos climáticos extremos e ondas de calor. A janela para se evitarem os 2°C está se fechando.
Para o economista Petterson Vale, pesquisador da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto, é preciso pensar alternativas para as negociações e complementar as metas de redução de emissões com estratégias de adaptação. “O paradigma da COP vem falhando. E a opção a ele são leis unilaterais e acordos entre países”, defende.
O histórico das reuniões sob supervisão da ONU não é dos melhores, e a própria organização da COP 21 elevou para o topo da agenda os investimentos em adaptação. A ideia é que 50% do Fundo Climático Global sejam alocados para ações como pesquisa de novas variedades de plantas, relocação de pessoas em áreas de risco e apoio a pequenas ilhas que vão sumir com a elevação dos oceanos.
“Até hoje não existe um bom modelo para se calcular o custo econômico que será provocado pelas mudanças climáticas”, lembra Vale. O mundo, além de tentar evitar uma catástrofe, precisará fazer um seguro para o futuro sem ter ideia de quanto ele pode custar. Essa é a transformação da economia que pode vir a contragosto.
Guido Orgis
Texto publicado na edição impressa do Jornal Gazeta do Povo de 19 de julho de 2015
Foz do Iguaçu se prepara para sediar, entre os dias 28 e 30 de julho, a 15ª edição da “Water Information Summit (WIS)”, encontro internacional que busca desenvolver questões relacionadas à água através da promoção e do compartilhamento de informações e boas práticas. Nesta edição, o destaque fica por conta das temáticas: Água e Energia, Modelagem Hidrológica, Ecohidrologia e Sistemas de Informações Geográficas em Software Livre Aplicados aos Recursos Hídricos.
O evento é organizado pelo WaterWeb Consortium - comunidade global que reúne entidades ligadas aos recursos hídricos e também pelo Centro Internacional de Hidroinformática (CIH). Maria Donoso, diretora do GLOWS (sigla em inglês que significa em tradução literal Águas Globais para a Sustentabilidade) e vice presidente do WaterWeb Consortium explica os objetivos do evento:
“O objetivo do evento será desenvolvido a partir de quatro premissas: primeiramente, buscando melhorar as formas de obtenção das informações sobre a água. Segundo, como melhorar a comunicação sobre a água para as pessoas que a necessitam, estamos falando de tomadores de decisões, profissionais, comunidade e o público geral. Em terceiro lugar, como melhorar a qualidade da informação. Saber como detectar dados e informações equivocadas, aprendendo novas práticas relacionadas à gestão da água. Tudo isso no contexto em que haja utilidade prática para diferentes pessoas que tenham acesso a esta informação. E o quarto objetivo é poder trocar ideias sobre ferramentas relacionadas com a gestão da água”.
O encontro será realizado no Parque Tecnológico Itaipu e conta com apoio da Itaipu Binacional, Florida International University (FIU), United States Agency for International Development(USAID), Florida Atlantic University (FAU) e Fundação Parque Tecnológico Itaipu (FPTI). Na programação estão inclusas as participações de especialistas da América do Sul, América do Norte, América Central e Caribe. Além da apresentação de estudos de caso de outros continentes, entre eles, a África e a região do Cáucaso – fronteira entre a Europa e a Ásia.
O Centro Internacional de Hidroinformática (CIH) também irá apresentar sua atuação no desenvolvimento de sistemas de gestão territorial web em software livre a partir do contexto do nexo Água e Energia. De acordo com Maria Donoso, o evento é uma boa oportunidade para estudantes e profissionais do setor.
“Haverá uma série de painéis e apresentações de especialistas internacionais com temáticas muito atuais e interessantes que darão aos estudantes a oportunidade de aprender muito. Já os profissionais poderão conhecer novas ferramentas, não só ferramentas da internet ou modelos, mas também sobre gestão da informação e recursos hídricos. Aos tomadores de decisões, eles irão interagir com especialistas internacionais que estão apoiando a gestão dos recursos hídricos através dessas novas ferramentas e metodologias. Esperamos que o ponto alto do evento seja o intercâmbio e a colaboração de informações aos gestores da água”.
Também estarão presentes representantes do Programa Hidrológico Internacional (PHI), Instituto Caribenho para a Meteorologia e a Hidrologia de Barbados, Comitê Intergovernamental dos Países da Bacia do Prata, Programa Erasmus Mundus, GLOWS, Agência Nacional de Águas (ANA) e Itaipu Binacional. O evento será aberto ao público e as inscrições podem ser realizadas pelo sitewww.waterwebconsortium.com/wis15.
Os prefeitos e gestores de consórcios municipais paranaenses têm apenas até o próximo dia 16 de maio para apresentar ao Comitê Gestor do Programa Paraná Sem Lixões seus pleitos de recursos para elaboração de projetos de programas de gestão de resíduos sólidos. No dia 21 de maio essas propostas serão apresentadas a uma missão da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), que vai financiar os projetos por meio de uma linha de crédito concedida à Fomento Paraná.
Este foi o tema de uma reunião nesta terça-feira (6) entre o presidente da Fomento Paraná, Juraci Barbosa, e o deputado estadual Luiz Eduardo Cheida, que é também ex-secretário de Estado do Meio Ambiente.
“Estamos preocupados, porque este é o último prazo para os gestores poderem tomar uma atitude no sentido de atender à Política Nacional de Resíduos Sólidos, que determina o fim dos lixões até 3 de agosto deste ano”, disse Cheida. “O Estado está fazendo todo o esforço para apoiar os municípios, mas é preciso que os gestores estejam atentos, porque o prazo é muito curto”, afirmou.
RISCO - De acordo com o coordenador técnico do Comitê Gestor do Programa Paraná Sem Lixões, Laerty Dudas, o município que perder a data limite para manifestar interesse pelos recursos pode ser prejudicado com a perda de outros financiamentos. “O risco de o prefeito ser responsabilizado por não atender à lei é muito alto, mas o mais importante é aproveitar esta oportunidade que está sendo proporcionada pelo Governo do Estado, por meio da Fomento Paraná, e pleitear os recursos para elaborar os projetos”, afirma Dudas.
Segundo ele, desde o começo o principal problema para eliminar os lixões e a falta de projetos e agora existem recursos para elaborar esses projetos. A linha de crédito aberta pela Agência Francesa para a Fomento Paraná para projetos de gestão de resíduos sólidos é de aproximadamente R$ 140 milhões. Os projetos aprovados poderão ser pagos em 12 anos, sendo três anos de carência.
DRAMA NACIONAL - Domingos Portilho Filho, do escritório de projetos da Fomento Paraná, explica que a instituição financeira está atuando como facilitadora e captando recursos de baixo custo para apoiar os municípios, mas é preciso que os gestores tomem a iniciativa.
“A questão dos lixões a céu aberto é um grande drama nacional. Temos a obrigação de eliminá-lo, mas os gestores precisam aproveitar a oportunidade, porque recursos sempre são escassos”, afirmou.
CRÉDITO - Os municípios interessados nesta linha de crédito devem entrar em contato com o Comitê Gestor do Programa Paraná Sem Lixões, na Secretaria de Estado do meio Ambiente (41) 3304-7712.
A formação dos consórcios intermunicipais para a coleta e a destinação de resíduos está prevista na Política Nacional de Resíduos Sólidos e no Plano de Regionalização da Gestão Integrada de Resíduos Sólidos Urbanos do Paraná, elaborado pela Secretaria do Meio Ambiente, e que aponta alternativas para o tratamento do lixo em cada uma das 20 regiões do Paraná.