sexta-feira, 24 de julho de 2015

O clima preocupa até na segurança pública

Por Washington Novaes –
Por mais que se queira, a cada dia é mais difícil de fugir dos temas relacionados a mudanças climáticas. A agência espacial norte-americana (Nasa) está dizendo que o mês de junho último “foi o mais quente dos registros históricos” desde 1880. O ano passado já teve temperatura média 0,69 grau acima da média do século 20 e este ano pode quebrar o recorde de temperatura (Estado, 21/7). Novo estudo de pesquisadores do Nepal, França e Holanda revela que as geleiras na região do Everest, no Himalaia, podem diminuir de volume pelo menos em 70% até o fim do século (elas já se reduziram em 13% nos últimos 50 anos).
Em meio a essas notícias, cerca de 2 mil cientistas de mais de cem países se reuniram em Paris entre 7 e 10 de julho para discutir “o nosso futuro comum sob as alterações climáticas”, com o objetivo maior de propor medidas para reduzir, entre 40% e 70% até 2050, as emissões de poluentes atmosféricos que contribuem para o aquecimento global.
E suas principais propostas foram de eliminar os subsídios a energias fósseis, que hoje chegam a US$ 550 bilhões anuais, e de fixar um preço para o carbono emitido em qualquer parte. Nada mais, nada menos, trata-se de enfrentar a resistência de algumas das forças econômicas mais poderosas, como as megaempresas de petróleo, gás e carvão e a indústria de veículos, entre outras. Mas, se nada for feito, a temperatura média do planeta pode aumentar entre 3,7° e 4,8° Celsius até o fim do século – com consequências que poderão ser catastróficas (ISA, 17/7).
Que fará o Brasil? Nossas autoridades da área do meio ambiente parecem não ter ainda chegado a termo com sua proposta final para a conferência do clima de dezembro, também em Paris, quando cada país deverá apresentar seus compromissos obrigatórios para essa área. Admitem que a proposta deverá ser diferente da defendida em 2009. E o País deverá propor a possibilidade de computar os efeitos benéficos de regeneração natural de florestas (só na Amazônia seriam 17 milhões de hectares de florestas secundárias crescendo e capturando carbono). Além disso, quer defender uma compensação pelo desmatamento reduzido até 2020. A proposta só deverá ser conhecida em outubro. Mas pretende-se analisar mais a intenção de reduzir as emissões nas áreas de energia e agropecuária, assim como a participação dos Estados e municípios no debate maior.
Em suas discussões com o presidente Barack Obama, no final de junho, a presidente Dilma Rousseff situou entre 28% e 33% a participação que as energias renováveis deverão ter na matriz energética nacional até 2030 e comprometeu-se a restaurar florestas (Folhapress, 1/7). Há cientistas, como o professor José A. Marengo, do Inpe e da Convenção do Clima, que acham as negociações na área brasileira muito influenciadas pelas posições de diplomatas do Itamaraty, quando o ideal seria “termos cientistas e diplomatas trabalhando juntos” (Ecológico, junho de 2015).
Estudos de cientistas na publicação Nature Climate Change dizem que a meta de limitar o aumento da temperatura a 1,5 grau neste século “não está totalmente fora do alcance”, mas “as possibilidades são remotas e os custos, elevados” (Observatório do Clima, 28/5), com muitas exigências nas áreas de energia e de transportes, principalmente, além de criar preço para as emissões de carbono a ser pago pelos emitentes. E isso exigiria a implantação de tecnologias de baixo carbono.
O professor Ronaldo Serôa da Motta, da UERJ, tem afirmado que a tendência é de que o panorama atual de crise leve os países a assinarem em Paris um “acordo gradualista, com metas pouco ambiciosas até 2030” (Amazonia.org, junho de 2015). Um dos pontos mais difíceis seria estabelecer metas diferenciadas entre os países, proporcionais a suas emissões históricas e atuais. E adaptá-las ao que vem pela frente com o crescimento das emissões dos países emergentes, principalmente China, Índia e Brasil. “A principal questão”, diz ele, “é fazer com que a China e os Estados Unidos aceitem qualquer meta; se eles aceitarem, o acordo sai, porque o mundo rateia o resto”.
As graves inundações estão entre os principais efeitos devastadores da mudança climática. Foto: Shutterstock
As graves inundações estão entre os principais efeitos devastadores da mudança climática. Foto: Shutterstock
A preocupação da sociedade brasileira parece forte diante da lentidão no ritmo oficial de negociações. Pesquisa do Greenpeace e do Observatório do Clima mostra que 95% dos brasileiros acham que as mudanças climáticas já afetam o País, embora 48% entendam que “o governo federal faz menos do que deveria para enfrentar o problema” – e entendem que as mudanças no clima “têm relação com a crise hídrica e a crise energética”.
Têm razão. Texto do livro Urbanização e desastres naturais, de Lucí Hidalgo Nunes (comunitexto.com, 4/7), relaciona os 20 desastres naturais na América do Sul que causaram mais mortes (quase 150 mil) entre 1960 e 2009. São, principalmente, inundações, movimentos de massa úmida ou seca, tempestades e epidemias – que podem estar relacionados com o clima. Outro estudo, da professora Patrícia Pinho, da USP, mostra que a bacia amazônica “experimentou um aumento na variabilidade interanual principalmente no que se refere ao início e fim do período de chuvas”. Um dos ângulos estudados é a relação com El Niño e La Niña: “Há um aumento dos extremos hidrológicos na região”. Pode ser até na mortalidade de peixes e nas plantações.
Notícias recentes confirmam: o tambaqui e o cardinal diminuirão nos próximos tempos, segundo o Inpa (amazonia.org, 21/7), por causa do “impacto de mudanças climáticas”. E parece irreversível o fim da tão louvada pororoca, no encontro das águas do Rio Araguari, no Amapá, com o oceano. Reservatórios de três hidrelétricas, abertura de canais para irrigação de lavouras – que influem no clima e na água – e pastagens passaram a drenar águas do rio. E não haverá mais pororocas. Quem se preocupou?
Mas, como tem dito o cientista Paulo Nobre, do Inpe (Estado, 21/7), “falta de água já é uma questão de segurança pública”. (O Estado de S. Paulo/ #Envolverde)
Washington Novaes é jornalista/ e-mail: wlrnovaes@uol.com.br.
** Publicado originalmente no site O Estado de S. Paulo.

domingo, 19 de julho de 2015

Futuro Sustentável: O clima vai transformar a economia

Mudanças climáticas forçarão a redução das emissões e a adaptação a um mundo mais quente

Três fenômenos vão ditar como será a economia global nas próximas décadas: evolução tecnológica, demografia e as mudanças climáticas. O menos conhecido e mais imprevisível dos três é o clima. A elevação na temperatura do planeta provocada pelas emissões de gases que causam o efeito estufa é um fato que ainda não mostrou totalmente seu poder transformativo. E as mudanças virão, por bem ou por mal.
De acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), a temperatura média da superfície terrestre subiu quase 0,8°C desde o século 19, quando começou a queima de combustíveis fósseis para a produção de energia. O esforço atual das lentas negociações conduzidas pela Organização das Nações Unidas (ONU) está em não permitir que o aquecimento ultrapasse 2ºC. É na busca dessa meta que se concentra a mudança “por bem” na economia.
Manter o aquecimento do globo abaixo de 2°C só é possível com um corte rápido nas emissões. Elas precisam cair a zero até o fim do século, com uma redução de mais de 40% até 2050 em relação a 2010. Isso é necessário para que a concentração de gás carbônico na atmosfera fique abaixo dos 450 ppm (partes por milhão). Sem qualquer ação, esse nível será atingido dentro de 20 anos.
Um corte assim significa repensar uma economia que é dependente do carbono. A geração de energia para movimentar automóveis, fábricas, acender lâmpadas e aquecer e resfriar casas é responsável por 65% das emissões. Outros 11% vêm do desmatamento e da agricultura. Será preciso investir rapidamente em novas fontes de energia, remodelar as cidades e tornar a agricultura mais produtiva.
“Fazenda” de painéis solares na China é exemplo de adoção de uma tecnologia que ajuda a limpar a matriz energética global e que vai crescer nas próximas décadas.

Custos

Uma conta feita pela consultoria McKinsey em 2009 apontava para a necessidade de um investimento anual de até 350 bilhões de euros (em torno de R$ 1,2 trilhão) por ano até 2035 para limpar a matriz energética global. Isso representa 1% do PIB mundial, valor que se somaria aos investimentos já feitos na economia. No ano passado, um relatório da Comissão Global sobre Economia e Clima calculou que seriam necessários US$ 4 trilhões além dos US$ 90 trilhões que seriam normalmente investidos até 2030. O dinheiro extra, portanto, seria pouco. O impasse nas negociações sobre clima está, no fundo, em como fazer o dinheiro sair da economia “suja” para a de baixo carbono.
Os dois relatórios mostrem que muitas tecnologias permitem que haja economia de dinheiro. O uso de leds na iluminação, por exemplo, já se tornou um investimento com retorno positivo no longo prazo. “O potencial para a redução das emissões com ganho econômico é enorme”, diz Carlos Rittl, secretário executivo do Observatório do Clima. “Há tecnologias já testadas, como o etanol de cana de açúcar e a geração eólica, que podem ganhar escala. Além disso, há muito o que fazer em ganho de eficiência energética.”
A transição para a economia de baixo carbono também exigirá o desenvolvimento de novas tecnologias. Um grupo de cientistas do Reino Unido pede que seja criado um “Projeto Apollo Global” para o clima, em referência ao esforço feito nos Estados Unidos para levar o homem à Lua. A proposta é que os países envolvidos apliquem 0,02% do PIB até 2025 no desenvolvimento de painéis solares mais baratos, tecnologias de armazenagem de energia e redes mais inteligentes para a distribuição.


O fato por trás dessa ideia é que as tecnologias atuais ainda não são suficientes para que o ritmo de redução das emissões seja o adequado. As usinas térmicas garantem energia a qualquer hora do dia, o que não ocorre com um painel solar ou torre eólica. Além de ficarem mais baratas, essas fontes precisam ser complementadas por sistemas de armazenamento, como baterias e hidrogênio.
“A economia precisa caminhar para um modelo mais descentralizado de produção e consumo de energia”, resume Carlos Rossin, líder de sustentabilidade da consultoria PwC. “Ao mesmo tempo, os efeitos negativos da produção precisam ser internalizados nos preços.” Isso significa que, em algum momento, taxas, limites e créditos envolvendo as emissões se tornarão uma ferramenta para estimular a adoção de tecnologias mais limpas.
A boa notícia é que o mercado responde aos incentivos. No Brasil, o crédito via BNDES e os leilões de energia fizeram com que os projetos eólicos se multiplicassem. A capacidade instalada no país chegou a 6 GW, o mesmo que vão gerar as hidrelétricas do Rio Madeira. “As políticas públicas serão determinantes. O Plano Decenal de Energia brasileiro ainda prevê 70% dos recursos para energia fóssil”, afirma André Ferretti, gerente de Estratégias de Conservação da Fundação O Boticário.

Ritmo

O tempo para elaborar as políticas certas e fazer o dinheiro ir para o lado limpo da economia é curto e o ritmo atual não é animador. Um estudo da PwC mostra que, globalmente, a queda na intensidade de carbono da economia (uma medida de quanto é emitido para se produzir US$ 1 milhão) foi de 0,6% ao ano entre 2008 e 2013. A taxa precisaria ser de 6,2% ao ano, segundo o estudo.
Uma das razões para a lentidão é a falta de um acordo entre os maiores poluidores. As negociações do clima ainda não levaram a um tratado com a ambição necessária para reduzir as emissões. Neste ano, no fim de novembro, uma reunião que será realizada em Paris, a COP 21, dará mais uma chance para que haja metas para o clima. “Estamos esperando demais. Se houver acordo em Paris, ele só terá efeitos a partir de 2021”, lembra Ferretti.
Até o momento, países em desenvolvimento vêm se recusando a um acordo em que tenham metas iguais às de países desenvolvidos. Em Paris, é possível que haja uma alternativa, com medidas diferentes para cada nação. O que pode ser insuficiente para atender o limite de 2°C.


Um estudo recente do Banco Mundial diz que um aquecimento de 1,5°C está implícito nas emissões já feitas pela humanidade, o que traz consequências inevitáveis, como a redução na produção agrícola, aumento no número de eventos climáticos extremos e ondas de calor. A janela para se evitarem os 2°C está se fechando.
Para o economista Petterson Vale, pesquisador da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto, é preciso pensar alternativas para as negociações e complementar as metas de redução de emissões com estratégias de adaptação. “O paradigma da COP vem falhando. E a opção a ele são leis unilaterais e acordos entre países”, defende.
O histórico das reuniões sob supervisão da ONU não é dos melhores, e a própria organização da COP 21 elevou para o topo da agenda os investimentos em adaptação. A ideia é que 50% do Fundo Climático Global sejam alocados para ações como pesquisa de novas variedades de plantas, relocação de pessoas em áreas de risco e apoio a pequenas ilhas que vão sumir com a elevação dos oceanos.
“Até hoje não existe um bom modelo para se calcular o custo econômico que será provocado pelas mudanças climáticas”, lembra Vale. O mundo, além de tentar evitar uma catástrofe, precisará fazer um seguro para o futuro sem ter ideia de quanto ele pode custar. Essa é a transformação da economia que pode vir a contragosto.
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Texto publicado na edição impressa  do Jornal Gazeta do Povo de 19 de julho de 2015

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Foz do Iguaçu irá sediar a 15ª Cúpula de Informações sobre a Água

Foz do Iguaçu se prepara para sediar, entre os dias 28 e 30 de julho, a 15ª edição da “Water Information Summit (WIS)”, encontro internacional que busca desenvolver questões relacionadas à água através da promoção e do compartilhamento de informações e boas práticas. Nesta edição, o destaque fica por conta das temáticas: Água e Energia, Modelagem Hidrológica, Ecohidrologia e Sistemas de Informações Geográficas em Software Livre Aplicados aos Recursos Hídricos.
O evento é organizado pelo WaterWeb Consortium - comunidade global que reúne entidades ligadas aos recursos hídricos e também pelo Centro Internacional de Hidroinformática (CIH). Maria Donoso, diretora do GLOWS (sigla em inglês que significa em tradução literal Águas Globais para a Sustentabilidade) e vice presidente do WaterWeb Consortium explica os objetivos do evento:
“O objetivo do evento será desenvolvido a partir de quatro premissas: primeiramente, buscando melhorar as formas de obtenção das informações sobre a água. Segundo, como melhorar a comunicação sobre a água para as pessoas que a necessitam, estamos falando de tomadores de decisões, profissionais, comunidade e o público geral. Em terceiro lugar, como melhorar a qualidade da informação. Saber como detectar dados e informações equivocadas, aprendendo novas práticas relacionadas à gestão da água. Tudo isso no contexto em que haja utilidade prática para diferentes pessoas que tenham acesso a esta informação. E o quarto objetivo é poder trocar ideias sobre ferramentas relacionadas com a gestão da água”.
O encontro será realizado no Parque Tecnológico Itaipu e conta com apoio da Itaipu Binacional, Florida International University (FIU), United States Agency for International Development(USAID), Florida Atlantic University (FAU) e Fundação Parque Tecnológico Itaipu (FPTI). Na programação estão inclusas as participações de especialistas da América do Sul, América do Norte, América Central e Caribe. Além da apresentação de estudos de caso de outros continentes, entre eles, a África e a região do Cáucaso – fronteira entre a Europa e a Ásia.
O Centro Internacional de Hidroinformática (CIH) também irá apresentar sua atuação no desenvolvimento de sistemas de gestão territorial web em software livre a partir do contexto do nexo Água e Energia. De acordo com Maria Donoso, o evento é uma boa oportunidade para estudantes e profissionais do setor.
“Haverá uma série de painéis e apresentações de especialistas internacionais com temáticas muito atuais e interessantes que darão aos estudantes a oportunidade de aprender muito. Já os profissionais poderão conhecer novas ferramentas, não só ferramentas da internet ou modelos, mas também sobre gestão da informação e recursos hídricos. Aos tomadores de decisões, eles irão interagir com especialistas internacionais que estão apoiando a gestão dos recursos hídricos através dessas novas ferramentas e metodologias. Esperamos que o ponto alto do evento seja o intercâmbio e a colaboração de informações aos gestores da água”.
Também estarão presentes representantes do Programa Hidrológico Internacional (PHI), Instituto Caribenho para a Meteorologia e a Hidrologia de Barbados, Comitê Intergovernamental dos Países da Bacia do Prata, Programa Erasmus Mundus, GLOWS, Agência Nacional de Águas (ANA) e Itaipu Binacional. O evento será aberto ao público e as inscrições podem ser realizadas pelo sitewww.waterwebconsortium.com/wis15.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Prefeitos devem solicitar recursos para projetos de resíduos sólidos

Os prefeitos e gestores de consórcios municipais paranaenses têm apenas até o próximo dia 16 de maio para apresentar ao Comitê Gestor do Programa Paraná Sem Lixões seus pleitos de recursos para elaboração de projetos de programas de gestão de resíduos sólidos. No dia 21 de maio essas propostas serão apresentadas a uma missão da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), que vai financiar os projetos por meio de uma linha de crédito concedida à Fomento Paraná. 


Este foi o tema de uma reunião nesta terça-feira (6) entre o presidente da Fomento Paraná, Juraci Barbosa, e o deputado estadual Luiz Eduardo Cheida, que é também ex-secretário de Estado do Meio Ambiente. 


“Estamos preocupados, porque este é o último prazo para os gestores poderem tomar uma atitude no sentido de atender à Política Nacional de Resíduos Sólidos, que determina o fim dos lixões até 3 de agosto deste ano”, disse Cheida. “O Estado está fazendo todo o esforço para apoiar os municípios, mas é preciso que os gestores estejam atentos, porque o prazo é muito curto”, afirmou. 



RISCO - De acordo com o coordenador técnico do Comitê Gestor do Programa Paraná Sem Lixões, Laerty Dudas, o município que perder a data limite para manifestar interesse pelos recursos pode ser prejudicado com a perda de outros financiamentos. “O risco de o prefeito ser responsabilizado por não atender à lei é muito alto, mas o mais importante é aproveitar esta oportunidade que está sendo proporcionada pelo Governo do Estado, por meio da Fomento Paraná, e pleitear os recursos para elaborar os projetos”, afirma Dudas. 



Segundo ele, desde o começo o principal problema para eliminar os lixões e a falta de projetos e agora existem recursos para elaborar esses projetos. A linha de crédito aberta pela Agência Francesa para a Fomento Paraná para projetos de gestão de resíduos sólidos é de aproximadamente R$ 140 milhões. Os projetos aprovados poderão ser pagos em 12 anos, sendo três anos de carência. 



DRAMA NACIONAL - Domingos Portilho Filho, do escritório de projetos da Fomento Paraná, explica que a instituição financeira está atuando como facilitadora e captando recursos de baixo custo para apoiar os municípios, mas é preciso que os gestores tomem a iniciativa. 



“A questão dos lixões a céu aberto é um grande drama nacional. Temos a obrigação de eliminá-lo, mas os gestores precisam aproveitar a oportunidade, porque recursos sempre são escassos”, afirmou. 



CRÉDITO - Os municípios interessados nesta linha de crédito devem entrar em contato com o Comitê Gestor do Programa Paraná Sem Lixões, na Secretaria de Estado do meio Ambiente (41) 3304-7712. 



A formação dos consórcios intermunicipais para a coleta e a destinação de resíduos está prevista na Política Nacional de Resíduos Sólidos e no Plano de Regionalização da Gestão Integrada de Resíduos Sólidos Urbanos do Paraná, elaborado pela Secretaria do Meio Ambiente, e que aponta alternativas para o tratamento do lixo em cada uma das 20 regiões do Paraná.

Fonte: Agência Estadual de Notícias

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

WWF ABRE INSCRIÇÕES PARA A BOLSA PRINCE BERNHARD - 2014

A bolsa é oferecida pela Rede WWF com o objetivo de prover suporte financeiro para treinamentos e estudos em conservação ambiental.

O WWF trabalha constantemente por um futuro em que as pessoas vivam em harmonia com a natureza. Grande parte desse futuro depende da contribuição de jovens talentos que já trabalham em defesa do planeta no desenvolvimento de projetos de conservação. Para incentivar a atuação e o desenvolvimento destas iniciativas, foi criada a Bolsa Prince Bernhard.

Podem se candidatar estudantes e profissionais em conservação da África, Ásia/Pacífico, Leste Europeu, Oriente Médio, América Latina, Caribe e região do Mediterrâneo.

O recurso é válido apenas para cursos especializados em conservação ou áreas correlatas com término previsto para o período compreendido entre 1º de julho de 2014 e 30 de junho de 2015.

O valor da bolsa é de até 10.000 francos suíços.


As inscrições para o próximo período de seleção da bolsa terminam em 11 de janeiro de 2014.


Para se candidatar, acesse e preencha o formulário (em inglês) ao lado e encaminhe com os documentos solicitados para lep@wwf.org.br em formato *.pdf.

Confira mais detalhes em: www.panda.org/scholarships 

Qualquer dúvida, entre em contato pelo email: lep@wwf.org.br.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Ultrapassando Fronteiras

Não é por acaso que as Cataratas do Iguaçu estão entre as sete maravilhas do mundo. Dentro de um Sítio do Patrimônio Natural da Humanidade declarado pela Unesco, a exuberante cachoeira despeja em média mais de 1,7 milhão de litros de água por segundo, do alto de quedas que chegam a 80 metros de altura (Figura 1 e 2). No centro de uma gigante área verde, as quedas d'água não são a única maravilha dessa região situada no extremo oeste do estado do Paraná. O Parque Nacional do Iguaçu reserva cerca de 187mil hectares de área protegida que somados aos quase 67mil ha do Parque Nacional Iguazú, na Argentina, cobrem uma grande área de proteção da Floresta Estacional Semidecidual ou a Selva Paranaense, como também é conhecida a Mata Atlântica na região (Figura 3). Minha pesquisa de doutorado, desenvolvida no Programa de Ciências Ambientais e Florestais da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, trata justamente da cooperação entre os dois países para a proteção dessa área e felizmente tenho a oportunidade de executar esse trabalho em ambos os lados da fronteira.

Figura 1: Cataratas do Iguaçu.*

Figura 2: Cataratas do Iguaçu.*

Figura 3: Mata Atlântica no Parque Nacional do Iguaçu e Iguazú *

Em uma visita ao lado argentino tive a oportunidade de acompanhar os guarda-parques (Figura 4) em uma de suas "recorridas", ou seja, atividade que realizam mensalmente, em diferentes trechos do parque, visando a sua proteção contra as atividades ilegais, como a caça (Figura 5) e retirada de palmito (Figuras 6), semelhantes ao que ocorrem no Parque Nacional do Iguaçu. Saindo da sede administrativa localizada na cidade de Puerto Iguazú, soube que nosso destino seria a Ruta 101estrada que começa asfaltada à partir da Ruta 12*2, já em área do parque argentino, até chegar no aeroporto. Deste ponto, segue cerca de 35km como estrada de chão (muito enlamaçada em dia de chuva) (Figura 7), ainda em território protegido, até chegar a cidade de Comandante Andresito, fronteira com a cidade brasileira de Capanema. Próximo ao seu destino, o trecho de terra está sendo substituído por pedra onde é visível o alargamento do leito em torno de 3m (Figura 8). Segundo meus colegas argentinos, seu destino provável é o asfaltamento completo. Perguntei a opinião deles sobre a existência desta estrada, sua resposta é que ela deveria ser fechada pois é a principal entrada para o estabelecimento de atividades furtivas no parque e ocorrência de atropelamento de animais (Figura 9). Além disso, também relataram que a estrada é um caminho alternativo para outras atividades ilegais semelhantes à realidade brasileira de passagem de muamba vinda do Paraguai. É interessante ouvir isso de profissionais que tem uma formação de excelência e, ressalto, interdisciplinar, exclusivamente para a proteção da biodiversidade em seu país e financiados pelo Governo.

Figura 4: Guarda-parques argentinos.* 
(Foto tirada em outra saída de campo, em área denominada "Palmital").

Figura 5: Apreensão de materiais de caça no Parque Nacional Iguazú. 
(Imagem cedida pelo Parque - setor de guarda-parques)

Figura 6: Apreensão de palmito retirado ilegalmente do Parque Nacional do Iguazú
(Imagem cedida pelo Parque - setor de guarda-parques)

Figura 7: Trecho da Ruta 101.

Figura 8: Trecho da Ruta 101 sendo pavimentada com pedras.

Figura 9: Tamanduá atropelado em estrada que passa pelo Parque nacional do Iguazú.
(Imagem cedida pelo Parque - setor de guarda-parques)

Ao percorrer esse trecho da estrada pensei na semelhança com a polêmica Estrada do Colono, trecho irregular de 17 km que corta o parque brasileiro e liga Serranópolis do Iguaçu a Capanema. O histórico da origem e dos conflitos quanto à abertura dessa estrada está exposto em artigo escrito por André Alliana nesse mesmo blog (Não à reabertura da Estrada do Colono.), valendo uma consulta para melhor contextualização. O importante a dizer é que hoje a floresta já tomou posse desse espaço, fato que pode ser observado com uma visita a região (Figura 10, 11 e 12), agravando as consequências de sua abertura para a Mata Atlântica e todos os seres vivos que tem ali seu único refúgio. 

Figura 10: Vegetação no antigo leito da Estrada do Colono.*

 Figura 11: Marca de anta em árvore situada no antigo leito da Estrada do Colono.*

Figura 12: Pegada de felino no antigo leito da Estrada do Colono*

Este modelo de unidade de conservação da natureza, representado aqui, pelos Parques Nacionais do Iguaçu e Iguazú, dentro  de uma estratégia global de conservação da biodiversidade, traz relevantes benefícios não só ambientais, como também sociais e econômicos. Infelizmente, esse ganho coletivo é manipulado em prol de objetivos políticos e econômicos baseados numa concepção individualista onde os beneficiados concentram-se em um pequeno grupo de pessoas. Ações de aproximação da população do entorno com o Parque que tragam reais benefícios para ambos podem e devem ser estimuladas, mas pautadas em estudos prévios que projetem sua efetividade e sem prejuízo à conservação da biodiversidade e das leis existentes.

Um dado relevante apresentado pelo Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estrada (Universidade Federal de Lavras) é que 475 milhões por ano de animais morrem no país, vítimas de atropelamentos em estradas, um pouco mais de dois "Brasis" em termos de número de habitantes. As principais mortes estão entre pequenos roedores, anfíbios, sapos, cobras e mesmo mamíferos como onça, tamanduá bandeira, lobo guará, lontra, ariranha, dentre outros. Na Ruta 101 são mais frequentes os atropelamentos de pequenos mamíferos na parte de chão e de grandes mamíferos na parte asfaltada.
          
Refleti que a abertura da Estrada do Colono somada à Ruta 101, formaria uma rota, um arco de atividades furtivas na floresta, fato completamente incoerente com o principal objetivo de um parque nacional que é a proteção da biodiversidade. Algumas pessoas podem pensar "mas qual o problema de caçar um bichinho, de retirar uns palmitos?" ou "tem tanto bicho, alguns morrerem atropelados não vai fazer diferença?", na verdade existem vários problemas. Um deles é ético, todos os seres vivos tem direito a vida, esse é um dos princípios de conservação da natureza e que inclui eu, você e todos os outros seres. Outro, ecológico, refere-se à manutenção da vida na terra da forma que a gente conhece, quem já ouviu falar em cadeia alimentar, extinção de espécies, serviços ambientais? Então, quando algum ser vivo morre, especialmente em maior quantidade, afetará a alimentação de outros tantos, os eventos repetidos de morte levam à extinção de algumas espécies, gerando um efeito em cadeia. Ou seja, serão afetadas aquelas que estão sendo mortas pelo distúrbio externo (como a caça, o atropelamento ou a retirada de palmitos) e aquelas que dependem dessas para sobreviver.
         
Dentre essas espécies, está o ser humano, animal (sim, animal) que depende totalmente desses diversos outros seres para ter o conforto climático de suas casas, o ar oxigenado que entra em seus pulmões, a água fresca que hidrata o seu corpo, dentre tantos outros benefícios. A nossa contribuição nesse trabalho coletivo é também muito importante, o mínimo que podemos fazer é dar espaço para que esses tantos outros seres façam a deles. Portanto, essas áreas de conservação da natureza não foram criadas para serem nossa posse, elas servem a um bem maior e existem regras a serem cumpridas mesmo que não gostemos delas.

Essa visita reafirmou meu posicionamento, primeiramente, contra a abertura da Estrada do Colono pois não há uma razão clara e consistente dos objetivos e benefícios, sociais ou ambientais, que justifique a sua implementação. Pelo contrário, existem argumentos fortes dos seus potenciais prejuízos (Breve exposição desses argumentos: Porque a Estrada do Colono deve continuar para sempre fechada. e Dez motivos para a Estrada do Colono não passar.). E em segundo, quanto à importância de pensar a gestão dessas áreas a partir de uma visão integrada, ultrapassando as fronteiras, sejam elas políticas e/ou perceptivas/cognitivas.

Mudar de perspectiva ajuda a compreender melhor a realidade pessoal a partir do ponto de vista do outro. Conhecer melhor o parque argentino me mostrou que existem muito mais semelhanças do que diferenças em relação ao vizinho brasileiro. O potencial para o compartilhamento de seus pontos fortes, de cooperação na resolução de problemas é enorme e não deve ser ignorada. Em conjunto, os Parques Nacionais do Iguaçu e Iguazú constituem um importante patrimônio natural e uma fonte rica de aprendizado mútuo para a conservação da natureza na região. 


Figura 13: Pôr do Sol no Parque Nacional do Iguaçu visto do outro lado da fronteira (Argentina)*.

*Imagens do arquivo pessoal, jul., ago. e set./2013.
*2 Na data de publicação desse artigo (07/10/2013), morreu atropelada uma onça pintada na Ruta 12 (Otro yaguareté atropellado dentro del Parque), estrada asfaltada que conecta o centro de Puerto Iguazú à Ruta 101 e que também atravessa trecho do Parque Nacional Iguazú.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Prêmio Cidade Pró-Catador para reconhecer boas práticas de inclusão dos catadores de materiais recicláveis

logo procatadorO Prêmio Cidade Pró-Catador reconhecerá boas práticas de inclusão social e econômica de catadores de materiais recicláveis, em especial na implantação da coleta seletiva. Serão premiadas quatro iniciativas de municípios que se destacam no desenvolvimento de políticas públicas junto aos catadores. As inscrições já estão abertas e poderão ser feitas até o dia 25 de outubro
Promovido pela Secretaria-Geral da Presidência da República, o Prêmio tem a parceria do Ministério do Meio Ambiente, Fundação Banco do Brasil, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis. Dirigido aos municípios cujas práticas estejam em sintonia com a Política Nacional de Resíduos Sólidos, o Prêmio visa reconhecer as iniciativas de integração dos catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis em ações que envolvam a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos. Algumas cidades já mantêm políticas que possibilitam a inclusão de pessoas de baixa renda contribuindo para os esforços do governo federal na superação da pobreza extrema. 
O Prêmio Cidade Pró-Catador tem como objetivos reconhecer e dar visibilidade às prefeituras cujas práticas com inclusão social e econômica de catadores possam ser referências para incentivar outros municípios a também implementarem iniciativas nesse campo; aprofundar o conhecimento dos gestores públicos federais, estaduais e municipais sobre políticas públicas de reciclagem, coleta seletiva e inclusão social e econômica de catadores e criar um banco de boas práticas municipalistas. 

Participe
2.     Envie a ficha preenchida para o email ciisc@presidencia.gov.br com o assunto "Prêmio Cidade Pró-Catador - Inscrição"

Pré-Seleção
As inscrições serão feitas exclusivamente pelo site www.secretariageral.gov.br/procatador até o dia 25 de outubro.  A Comissão de Avaliação fará uma triagem de até dez iniciativas que melhor se enquadrem nos critérios de boas práticas definidos previamente. As iniciativas serão avaliadas in loco, com o registro documental e fotográfico para compor banco de dados do Comitê Interministerial para a Inclusão Social e Econômica de Catadores de Materiais Reutilizáveis e Recicláveis - CIISC.

Avaliação e premiação
Entre as dez iniciativas avaliadas serão escolhidas quatro para serem premiadas durante a cerimônia de honra no Natal da Presidenta com os catadores de materiais recicláveis e população em situação de rua, em dezembro de 2013. Dois representantes de cada experiência premiada - um gestor público municipal e um catador – irão conhecer uma experiência de reciclagem em um país referência com todas as despesas pagas. As premiadas também farão parte da publicação do CIISC sobre boas práticas de ações municipais.

Informações sobre o Prêmio:
§  Telefones  (61) 3411-3176 ou 3411-2643 ou 3411-2946

§  Correio eletrônico: ciisc@presidencia.gov.br